sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Você é o centro de Jesus?

você é o coração de Jesus


O objetivo de nossa conversa hoje é chamar a atenção dos jovens para a importância de estarem atentos àquilo que ouvem. Como podemos averiguar a veracidade daquilo que nos é falado na Escola, na internet, na televisão, na igreja? 

Normalmente não somos treinados a averiguar de maneira crítica a informação que recebemos. Somos ensinados a não questionar nossos pais, nossos professores e nem nossos pastores. Desenvolver um pensamento crítico é aprimorar a capacidade que pensar acerca de uma informação, examinando cada aspecto para saber se aquilo é realmente uma verdade. 

Três perguntas

Como saber se o que o pastor pregou no último domingo é mesmo verdade? Como é possível ter certeza que ele foi fiel à Bíblia? O pregador faz ao longo de um sermão várias afirmações e cada uma delas pode e deve ser checada. Para isso eu sugiro três perguntas:

  1. Qual o texto bíblico que fundamenta essa afirmação? Você pode se surpreender com a quantidade de afirmações feitas em sermões que não têm qualquer fundamentação bíblica. Um pastor amigo afirmou recentemente que Raquel, a esposa de Jacó, morreu ao dar à luz seu segundo filho por causa dos ídolos que ela roubou do seu pai. Qual é o texto bíblico que diz isso? Nenhum. Em nenhum lugar há afirmação ou sugestão que aquele roubo foi a causa da morte de Raquel. Essa simples pergunta, “onde a Bíblia diz isso?”, pode mostrar que muitas pregações são enganações.
  2. Como você chegou a essa conclusão? Às vezes não há um texto bíblico que nos dá explicitamente uma informação; mas é possível construir uma argumentação e, através do exame de vários textos bíblicos, fazer uma afirmação verdadeira. Um exemplo é a doutrina da Trindade, essa palavra sequer existe na Bíblia; mas um conjunto de textos bíblicos mostra inequivocamente que há um só Deus, que tanto o Pai, como o Filho e o Espírito Santo são o mesmo e único Deus. Às vezes precisamos refazer o raciocínio da pessoa para verificar se a conclusão a que ela chegou é mesmo válida. 
  3. O que a Bíblia diz sobre esse assunto? Às vezes o pregador pode simplesmente fazer uma afirmação com aparência de verdade sem dar nenhum texto bíblico ou explicar seu raciocínio. O que podemos fazer nesse caso é verificar o que a Bíblia diz sobre aquele assunto e ver se nossa conclusão bate com a conclusão do pregador. É isso que faremos com uma pregação do Pr. Deive. 

Crítica e refutação à mensagem de Deive Leonardo

Durante um culto, o pastor Deive Leonardo fez uma afirmação que nós vamos examinar se é certa ou errada. Ele afirma o seguinte: 
Jesus é o centro. Do evangelho, Jesus é o centro.
Mas, de Jesus, você é o centro.
Do coração de Jesus, você é o centro.
Porque fomos chamados filhos. E somos filhos.
Você é importante. Tudo o que Jesus fez apontou para você. 
Ao tentar animar seus ouvintes, motivando-os para buscarem as bênçãos de Deus, Deive Leonardo fala que eles são tão importantes a ponto de serem o centro do próprio Cristo. Com isso o Pr. Deive está dizendo que nós somos a razão da vida e do ministério de Jesus, foi por nós que Jesus fez tudo o que ele fez. 

Isso é verdade? Deive Leonardo está certo? O que ele diz certamente é animador, reconfortante, motivador, mas quando se trata de uma mensagem bíblica a única coisa que importa é se ela é correta biblicamente. O que a Bíblia diz acerca do que motivava Jesus a fazer o que fazia? Qual era o centro do ministério de Jesus? Qual era a razão que o levava a agir? A vida de Jesus apontava para onde? 

Os quatro evangelho respondem satisfatoriamente essas perguntas. Selecionei algumas textos bíblicos, vejamos: 

Lucas 2:49 - E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? 
De acordo com o texto acima qual era o centro, a prioridade, o foco, o coração de Deus? Imagino que você concorde que era “tratar dos negócios do meu Pai”. 
João 4:34 - Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 
Jesus diz que “sua comida”, isto é, o que o alimenta, o que dá ânimo e alegria a Deus é fazer a vontade do Pai. Ou seja, o centro da vida de Jesus, sua razão para fazer as coisas é agradar ao Pai. 
João 8:29 - E aquele que me enviou está comigo; o Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada. 
Esse texto também não diz que nós somos o centro, o coração ou a razão de Jesus fazer o que Ele faz. Aqui Jesus diz que tudo o que ele faz só tem uma razão: agradar o Pai. O Pai celestial é o centro, é o coração e a razão de Jesus. 
João 17:4 – Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. 
A vida de Jesus teve o propósito de glorificar a Deus. Como Jesus glorificou a Deus? Fazendo o que o Pai mandou-lhe fazer. Cada palavra e ação de Jesus não apontam para nós, apontam para seu Pai celestial. 
Mateus 26:39 – E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. 
Em sua humilde oração Jesus deixa claro mais uma vez que toda sua vida é orientada ao ponto. Jesus só quer uma coisa: aquilo que o Pai quer. O alvo de Jesus está no Pai, tudo o que Jesus quer é agradá-lo. 
Lucas 23:46 - E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou. 
Mesmo pregado na cruz, tratado como ladrão, ofendido e humilhado, ridicularizado e agredido, Jesus não permitiu que o sofrimento mudasse o centro de sua vida. É por isso que ele ora entregando nas mãos do Pai seu espírito; esta é a maneira de Jesus dizer: “Meu Pai, está pronto, terminei meu trabalho”. 

Conclusão

Nossa conclusão é que o centro de Jesus, a razão e o alvo do seu ministério era um só: fazer a vontade do seu Pai e agradá-lo em tudo. Francisco de Vizmanos, no belíssimo texto intitulado "Um Filho que vive para o Pai", resume de forma irretocável aquilo que os textos acima já mostram:
“A vida inteira de Jesus, em sua oração, em seu apostolado, em seu sacrifício diário e vicário, não se orienta a outra coisa senão à honra e ao amor de seu Pai eterno”.
Substituir Deus, colocando o homem como o centro e o alvo do ministério de Jesus é claramente errado. Somos importantes sim, mas porque somos criaturas de Deus. O amor do Criador por nós não fala de nossa importância, mas daquela infinita misericórdia que se renova à cada manhã para o nosso bem (Lamentações 3.22).

O amor de Deus não prova que somos importantes, mas prova que Deus é absolutamente misericordioso ao nos amar mesmo sendo nós miseráveis pecadores (Romanos 5.8). Tudo isso não fala de nós, não aponta para nós. Tudo isso fala do amor, da justiça e da graça de Deus. Tudo isso aponta exclusivamente para Ele. Aleluia!



***Texto elaborado em razão de um PGM-Jovem (Pequeno Grupo Multiplicador) em que conversamos sobre avaliar mensagens e músicas à luz da Bíblia.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Sobre pastores

ilton santana submissão pastores
foto: wallhere.com


Pensando sobre algo que meu (atual) pastor escreveu, lembrei quando alguém me disse que estava com dificuldade de aceitar a liderança do seu pastor, por causa da relação com o pastor anterior e pela maneira diferente como esse exercia seu ministério. Para me deixar ainda mais perplexo, essa pessoa reforçou que não via nada de errado nesse pastor, nada a criticar, era apenas uma questão de preferencia. 

Não é desesperador? As pessoas estão escolhendo ou rejeitando seus pastores como se escolhem sapatos: a única coisa que importa é se são belos e confortáveis. Pastores deveriam ser julgados exclusivamente pela sua fidelidade à Palavra de Deus e seu amor ao Evangelho e à Igreja. Sendo assim, a única coisa que cabe aos membros das igrejas é submissão. Eu sei, a maioria odeia essa palavra; mas não há outra. “Obedecei a vossos pastores e sede submissos para com eles” – assim ordena o apóstolo Paulo. 

“Obedecei a vossos pastores e sede submissos para com eles” – assim ordena o apóstolo Paulo. 

Tive vários pastores em minha vida, todos eles muito diferentes entre si; no entanto, nunca – nem por um segundo – questionei se devia aceita-los ou não como meus pastores. Eram meus pastores e pronto. Havia divergências? Óbvio, afinal eu já era um ser pensante. Mas nunca saiu da minha boca uma tolice como “estou com dificuldade de aceitar sua liderança” com isso querendo dizer: Você não é confortável o bastante para mim. 

E é assim que muitas igrejas estão cheias de crentes rebeldes e insubmissos fingindo amor pela Igreja, fingindo devoção. Pessoas que raramente vêm à igreja, não são alunas na Escola Bíblica, algumas nem são dizimistas, mas julgam-se no direito de avaliar e questionar seu pastor, julgar os demais ministros. Se não é confortável o bastante, não serve. 

Os pastores em minha vida

Meu primeiro pastor, aquele que me batizou quando eu tinha nove anos, foi o Pr. Vicente de Ávila. Um homem extraordinário, bondoso, sempre se hospedava em nossa casa quando vinha de Buenópolis pregar em Augusto de Lima. Quando minha família mudou-se para Matozinhos, meu novo pastor era o bem mais jovem e enérgico Pr. Ronaldo de Oliveira Matias. Durante o ministério dele eu cresci, física e espiritualmente. Após a saída dele, o Pr. Jardel não poderia ser mais diferente. Baixinho e atarracado, um homem simples com práticas diferentes, mas tão comprometido como o pastor anterior. Era mais agradável ser pastoreado pelo Pr. Ronaldo? Sim. Mas, quem disse que o ministério pastoral presta-se a ser agradável? Paulo celebrou o fato de jamais ter buscado agradar os homens. 

Mas, quem disse que o ministério pastoral presta-se a ser agradável?

O Pr. Flávio sucedeu o Pr. Jardel, como este, o Pr. Flávio tinha convicções fortes, mas Flávio batia de frente, homem de bigode grosso nem de longe lembrava a doçura do Pr. Vicente ou a elegância do Pr. Ronaldo; mas eu me envergonharia demais se tivesse rejeitado ou menosprezado o ministério do Pr. Flávio por causa disso. Uma vez fui a casa dele e, sentando em sua cama, falei diretamente com ele acerca de algo que ele fizera e eu pensava ser errado. [Sempre penso em mim como mais tolo que os outros; mas ao menos nesse aspecto, eu jovenzinho, já tinha mais fibra e honra que muitos dos líderes e diáconos de hoje em dia].

O pastor que sucedeu o Pr. Flávio tem um lugar especial em meu coração. O jovem e recém-formado Pr. Atílio Patrício Braga Júnior não poderia ser mais diferente do que o pastor que o antecedera. Depois de formado em Teologia, segui para Medianeira (PR) para ser pastoreado pelo pastor e médico Lucas Davi de Souza. É difícil imaginar que característica o Pr. Lucas teria semelhante aos meus pastores anteriores. Minha posição agora era outra, ainda assim, não apenas por ser pastor auxiliar, mas também pela diferença de idade, mais uma vez eu era pastoreado por um pastor singular, muito diferente dos pastores que eu tivera até então. Mas uma coisa não mudava: Era o meu pastor. Foi assim quando, em virtude de uma interrupção no meu ministério pastoral, passei a ser pastoreado pelo Pr. Elias Figueiroa Colombeli. Talvez ele tenha algumas características em comum com os pastores Atílio e Ronaldo, mas ainda assim é tão diferente deles como foi, assim como eles, colocado por Deus para pastorear a mim. 

Uma coisa não mudou

Alguns foram mais agradáveis que outros. Alguns falaram com mais elegância, uns eram mais simpáticos e atenciosos, uns eram mais tomados por um senso de urgência, alguns eram mais enérgicos e rigorosos, com uns era mais fácil lidar, mas todos eram meus pastores e uma coisa nunca mudou: minha primeira obrigação para com eles era obediência e submissão. Simples assim.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Oséias 4.8: Pastores que se alimentam da miséria espiritual do povo

pastores que se alimentam da miséria espiritual do povo


"Pastores que exploram a miséria do povo para edificar seus ministérios grandiosos não é uma novidade do nosso tempo".

Anotei a frase acima na margem da minha Bíblia após ler o texto do profeta Oséias. Repare naqueles pastores e pregadores que gostam especialmente de falar sobre "quebra de maldições", "opressão demoníaca", "libertação espiritual" e temas semelhantes. Alguns, como o Pr. Lobo, são especialistas no assunto e rodam o Brasil falando para auditórios repletos. Fizeram da miséria espiritual e do desespero do povo um lucrativo negócio.

Eles têm cursos de libertação (acima de $400), óleos ungidos, métodos e uma lábia habilidosíssima. Obviamente você nunca os verá gritar para a multidão que "creia no Senhor Jesus e será salvo" ou que "o sangue de Jesus desfaz qualquer maldição" ou mesmo que "não há mais condenação para aquele que está em Cristo". Não, eles são mestres em fazer acreditar que você precisa do curso, do seminário, do "Encontro do Deus", do óleo ungido, da oração forte ou de qualquer coisa que eles possam vender para assim, e só assim, você conhecer a verdadeira libertação.

Eles nem coram de vergonha ao falar de "cobertura espiritual", "quebra de maldições", "maldições hereditárias", "espíritos ou demônios familiares". Zombam da cruz de Cristo, ridicularizam o Espírito Santo, desprezam as cartas de Paulo, mas mantêm intocada a pose de servo do Senhor.

Eles também não dirão ao povo que não precisam de outra unção além daquela que vem do Santo (1 João 2.20); senão como poderiam faturar em cima dessa carência? Eles farão as pessoas ficar numa fila para serem ungidas garantindo que essas pobres ovelhas venham sempre comer em sua mão.

Ouça suas mensagens. Raramente (ou nunca) você os verá pregar uma mensagem expositiva, simples e fielmente expondo um capítulo das Escrituras. Suas mensagens são uma colcha de retalhos de textos repletas de ligações inexplicáveis, associações forçadas e extrapolações na interpretação do texto. Imagino que não haveria maior tortura para tais pregadores do que serem obrigados a exporem um capítulo da Escritura, versículo por versículo, com alguém a tocar uma campainha toda vez que ele fizerem uma associação ou interpretação que o texto não comporta.

No entanto, a dura reprimenda que Deus dá aos líderes do povo através do profeta Oséias não serve apenas aos pregadores referidos acima; mas serve também a mim. Todo e qualquer pastor corre o risco de, conscientemente ou não, passar a viver às custas da miséria espiritual do povo. Que Deus tenha misericórdia de nós, pois como nos lembra Paulo, receberemos maior juízo.

terça-feira, 9 de julho de 2019

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Melhore! Melhore! Melhore!



Você já conversou com alguém que tinha um conhecimento muito superior ao seu? A ponto de você sentir-se constrangido a estudar mais para que suas conversas com essa pessoa sejam mais interessantes? Afinal, quando isso acontece, eu sei que é a minha ignorância que limita o alcance da conversa.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

O homossexualismo, os homossexuais e a Igreja Evangélica


ilton santana


Hoje, 14 de Junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que homofobia equivale ao crime de racismo. Teoricamente a criminalização se refere a condutas preconceituosas em relação aos homossexuais, mas o problema é que nem sempre é fácil diferenciar uma opinião de um ato preconceituoso. Em princípio, tanto o direito à livre expressão quanto à liberdade religiosa estão assegurados; mas como questiona Thiago Rafael Vieira: Quem propriamente dirá quando uma manifestação configura ou não discurso de ódio?

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