quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Deus odeia o pecado, mas ama o pecador?

Refutação ao texto de Solano Portela que afirma que “Deus odeia o pecado e odeia o pecador”

O reverendo Solano Portela escreveu um texto questionando a expressão “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Segundo ele isso não é verdade porque, já que pecado e pecador são inseparáveis, a verdade é que Deus odeia o pecado e também o pecador. Quero abordar aqui as razões pelas quais considero a afirmação de Portela incorreta.

Declaração Doutrinária dos Batistas Brasileiros

INTRODUÇÃO

Os discípulos de Jesus Cristo que vieram a ser designados pelo nome batista se caracterizavam pela sua fidelidade às Escrituras e por isso só recebiam em suas comunidades, como membros atuantes, pessoas convertidas pelo Espírito Santo de Deus. Somente essas pessoas eram por eles batizadas e não reconheciam como válido o batismo administrado na infância por qualquer grupo cristão, pois, para eles, crianças recém-nascidas não podiam ter consciência de pecado, regeneração, fé e salvação. Para adotarem essas posições eles estavam bem fundamentados nos Evangelhos e nos demais livros do Novo Testamento. A mesma fundamentação tinham todas as outras doutrinas que professavam. Mas sua exigência de batismo só de convertidos é que mais chamou a atenção do povo e das autoridades, daí derivando a designação “batista”.

A designação surgiu no século 17, mas aqueles discípulos de Jesus Cristo estavam espiritualmente ligados a todos os que, através dos séculos, procuraram permanecer fiéis aos ensinamentos das Escrituras, repudiando, mesmo com risco da própria vida, os acréscimos e corrupções de origem humana.

Pacto das Igrejas Batistas




Tendo sido levados pelo Espírito Santo a aceitar a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, e batizados, sob profissão de fé, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, decidimo-nos, unânimes, como um corpo em Cristo, firmar, solene e alegremente, na presença de Deus e desta congregação, o seguinte Pacto:

Comprometemo-nos a, auxiliados pelo Espírito Santo, andar sempre unidos no amor cristão; trabalhar para que esta igreja cresça no conhecimento da Palavra, na santidade, no conforto mútuo e na espiritualidade; manter os seus cultos, suas doutrinas, suas ordenanças e sua disciplina; contribuir liberalmente para o sustento do ministério, para as despesas da igreja, para o auxílio dos pobres e para a propaganda do evangelho em todas as nações.
Comprometemo-nos, também, a manter uma devoção particular; a evitar e condenar todos os vícios; a educar religiosamente nossos filhos; a procurar a salvação de todo o mundo, a começar dos nossos parentes, amigos e conhecidos; a ser corretos em nossas transações, fiéis em nossos compromissos, exemplares em nossa conduta e ser diligentes nos trabalhos seculares; evitar a detração, a difamação e a ira, sempre e em tudo visando à expansão do reino do nosso Salvador.
Além disso, comprometemo-nos a ter cuidado uns dos outros; a lembrarmo-nos uns dos outros nas orações; ajudar mutuamente nas enfermidades e necessidades; cultivar relações francas e a delicadeza no trato; estar prontos a perdoar as ofensas, buscando, quando possível, a paz com todos os homens.
Finalmente, nos comprometemos a, quando sairmos desta localidade para outra, nos unirmos a uma outra igreja da mesma fé e ordem, em que possamos observar os princípios da Palavra de Deus e o espírito deste Pacto.
O Senhor nos abençoe e nos proteja para que sejamos fiéis e sinceros até a morte.


Pastoras Batistas? Um Exame da Ordenação de Mulheres ao Ministério Pastoral



A ordenação de mulheres para o ministério pastoral está em destaque em algumas denominações e timidamente entre os batistas. A consagração de mulheres para o ministério pastoral não encontra o devido respaldo bíblico. Muitas pessoas estão confusas quanto ao que crer acerca do assunto. Já que não sou favorável à ordenação de mulheres devo explicar sincera e cuidadosamente esta minha posição e procedimento.

Deus te ama


Deus te ama. 

Isso é verdade, eu sei que talvez você não tenha certeza disso e até mesmo duvide. Eu te entendo. É absolutamente compreensível que você não acredite nesse amor ou que questione se Deus, o Criador de todas as coisas, continua te amando. Peço que mesmo assim você continue me ouvindo. 

Deus te ama. Ele afirma isso em sua Palavra. Jesus[1] nos diz que “Deus amou o mundo te tal maneira que enviou seu Filho para que você não morresse, mas para que tivesse a vida eterna”. O apóstolo São Paulo[2] afirma que “Deus prova seu amor para conosco fazendo Cristo morrer na cruz por nós enquanto ainda éramos pecadores”; isto é, quando ainda desprezávamos a Deus, Ele nos amou completamente. O apóstolo São João[3] diz que nós só amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro. Nosso amor deriva do amor de Deus por nós. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Deus escolhe a pessoa com a qual você deve se casar?



Em outras palavras: Deus tem uma pessoa preparada para ser sua futura esposa ou seu futuro marido? De modo que se você se casar com qualquer outra, você estará se casando com a pessoa errada?

Antes de respondermos essa pergunta com um simples SIM ou NÃO. Vamos caminhar um pouco pela história bíblica e ver o que ela nos ensina

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

A adoração através da Bíblia



Como adorar a Deus? São muitos o que enxergam nessa simples pergunta um ranço de religiosidade ou tendência ao tradicionalismo. Não é difícil ouvir que você deve adorar de acordo com o que "sente no coração". Alguém já disse que "é a sua verdade que importa", e que Deus aceita "se você faz de coração".
Mas não é essa história que a Bíblia conta. Deus não apenas rejeitou atos de adoração sinceros, como os castigou severamente todas as vezes que eles não se adequavam à sua vontade declarada. Nem mesmo Moisés, o homem que falava face a face com Deus, teve liberdade para adorar como sentisse no coração; ao contrário, ele é elogiado por fazer de forma detalhada tudo o que Deus mandou (Êxodo 40.16).


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Perseverança




Aristóteles disse que a coragem é a maior das virtudes, porque é ela que sustenta todas as outras. Uma das virtudes mais elogiadas na Bíblia tem íntima relação com a coragem: a perseverança. 



Gosto de pensar na perseverança como o resultado da coragem, da fé e do propósito na vida de uma pessoa. Sem esses três elementos você não persevera em busca de algo que parece distante ou difícil demais de alcançar. E isso é trágico. Pessoas que não têm nenhum exemplo de perseverança para dar são apenas a sombra do que poderiam ser. 



Nessa manhã de domingo meu coração transborda de alegria e gratidão pela minha esposa. Falo da satisfação de viver com alguém que atravessou um deserto com você; alguém que, como você, lutou contra a descrença que haveria dias melhores e aprendeu coisas novas. Falo da satisfação que vem da perseverança, uma vida mais consciente de suas possibilidades e onde as dificuldades já não assustam tanto. 



Se você está passando por um momento difícil com sua esposa, eu peço a Deus por você; mas peço a você três coisas: Comprometa-se com o futuro que você quer construir com sua esposa, imagine isso, tenha uma representação visível de onde quer chegar (PROPÓSITO). Ore a Deus e declare sua confiança naquele que pode fazer infinitamente mais do que pensamos ou pedimos (FÉ). Diga para sua esposa: “Eu não vou a lugar nenhum, não importa o que aconteça, eu estarei sempre aqui” (CORAGEM).

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Posso perder a salvação?



Essa é a parte final de uma série de posts disponíveis aqui acerca da doutrina da salvação.
Começamos falando sobre o que a salvação não é, o que ela é, examinamos vários textos bíblicos que expõem essa doutrina, tratamos de textos que supostamente sugerem que a salvação em Cristo pode ser perdida, fazemos um breve comentário sobre a questão arminiana e agora, encerramos reunindo alguns testemunhos contrários e favoráveis à doutrina da perseverança (ou preservação) dos santos.


Armínio ensinou que salvos podem perder a salvação?



A doutrina arminiana afirma a possibilidade de uma salvo poder a salvação?
Acerca dessa questão, Jacobus Arminius afirmou claramente que não havia conseguido chegar a uma definição e que nunca ensinou que salvos podem perder a salvação.
"Embora eu aqui, aberta e sinceramente, afirmo que eu nunca ensinei que um verdadeiro crente pode, total ou finalmente, abandonar a fé, e perecer; todavia não nego que haja passagens da Escritura que me parecem apresentar este aspecto; e as respostas a elas que tive a oportunidade de ver não se mostraram, em minha opinião, convincentes em todos os pontos. Por outro lado, certas passagens são fornecidas para a doutrina contrária [da perseverança incondicional] que merecem especial consideração”.
JACOBUS ARMINIUS (1560-1609)
(Works, vol 1: The perseverance of the saints).

Um ano após a morte de Armínio, seus seguidores se reuniram e organizaram a doutrina que ele ensinava num documento conhecido como Os Cinco Pontos do Arminianismo. O 5º ponto trata da possibilidade do salvo perder a salvação; mas nessa reunião, os primeiros arminianos decidiram que “isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas Santas Escrituras antes que possamos ensiná-lo com inteira segurança”. Essa orientação honrava Arminius que afirmou nunca ter ensinado que um salvo pode perder a salvação.
“Os verdadeiros crentes têm força suficiente, por meio da graça divina, para lutar contra Satanás, contra o pecado e contra sua própria carne, e para vencê-los. Mas, se eles, em razão da negligência, podem ou não apostatar da fé verdadeira e vir a perder a alegria de uma boa consciência, caindo da graça, é uma questão que precisa ser melhor examinada à luz das Sagradas Escrituras”.
5º ponto do Arminianismo (A Remonstrância, 1610).
A Remonstrância foi o nome dado ao documento contendo os 5 pontos do Arminianismo na assembleia dos seguidores de Arminius em 1610. Por causa desse documento eles ficaram conhecidos como Remonstrantes.
Quando os arminianos tentaram implantar a doutrina arminiana nas igrejas holandesas, foi convocado, o Sínodo Nacional das Igrejas para examinar os ensinos de Arminius à luz das Escrituras.
Reunido na cidade holandesa de Dort, depois de sete meses e 154 sessões, de 1618 a 1619, o Sínodo de Dort considerou a doutrina arminiana contrária à Escritura e a declarou herética. Os teólogos, então, elaboraram a teologia reformada em Cinco pontos para se contrapor à doutrina arminiana. Em homenagem ao reformador João Calvino, esse documento ficou conhecido como Os Cinco Pontos do Calvinismo.
Os arminianos então fundaram a Irmandade Remonstrante (ou Igreja Remonstrante) na Holanda e deram continuidade ao desenvolvimento da teologia de Jacobus Arminius. Anos depois um grupo resolveu a questão que havia sido deixada aberta no 5º ponto afirmando que “pessoas verdadeiramente regeneradas, ao negligenciarem a graça e entristecerem o Espírito Santo com pecado, decaem totalmente e, finalmente, da graça para a eterna reprovação". No entanto, essa posição não representa todos os arminianos.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Textos bíblicos que sugerem a possibilidade de perder a salvação



Relaciono abaixo alguns textos que aparentemente sugerem a possibilidade de perder-se a salvação e uma breve análise dos mesmos:
1.      Mateus 10:22 – “Todos odiarão vocês por minha causa, mas aquele que perseverar até o fim será salvo”.
Neste complexo versículo (porque está entre profecias acerca da destruição de Jerusalém e do final dos tempos) a perseverança aparece como uma qualidade dos salvos. Note também que perseverar não é “não pecar”, mas sempre voltar-se para Deus apesar dos pecados e fraquezas.
2.      I Coríntios 3.17 – “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”.
Ao contrário do que muitos pensam, este texto não fala acerca do cuidado com o corpo, mas sim do cuidado com a Igreja e dirige-se aos mestres. Trata do julgamento de Deus no Juízo contra aqueles que, disfarçando-se de mestres, empenharam-se em destruir a Igreja, o santuário de Deus que são os crentes.
3.      Hebreus 3:6 – “Mas Cristo é fiel como Filho sobre a casa de Deus; e esta casa somos nós, se é que nos apegamos firmemente à confiança e à esperança da qual nos gloriamos”.
Na medida em que os apegamos cada vez mais a Deus, cada vez mais Cristo faz de nós sua casa, o lugar da sua habitação, ação e manifestação. Em outras palavras Paulo diz, “somos a casa de Deus se a salvação é real em nós...”.
4.      Hebreus 3:12 – “Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo”.
Uma exortação quando ao cuidado com a vida espiritual (I Pedro 5:8). Acredite! O seu coração pode afastar-se do Deus vivo! Não se trata de perda de salvação, mas perda de comunhão.
5.      Hebreus 6:4-6 – “Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública”.
a.       Esse texto é o mais difícil acerca da salvação, o único que realmente coloca um problema. No entanto, o texto está certamente falando acerca da condenação daqueles que intimamente conheceram o Evangelho e, mesmo assim, o rejeitaram. Para estes não há mais redenção, porque ridicularizaram o sacrifício de Cristo.
b.       Para entender a situação exposta neste texto considere a experiência de dois personagens: Saul e Judas Iscariotes. Ambos experimentaram de tudo o que o escritor de Hebreus fala (o dom celestial, o Espírito Santo, a bondade de Deus e os sinais e maravilhas), no entanto, rejeitaram. Tanto Saul como Judas Iscariotes, acolheram a mensagem divina enquanto ela lhes convinha, mas quanto essa mensagem exigiu deles uma atitude radical de fidelidade e submissão, eles a rejeitaram. No entanto, essa rejeição não é como as das demais pessoas; porque eles conheceram profundamente os desígnios de Deus, mas apegaram-se ainda mais fortemente aos seus próprios desígnios. É esse apego extraordinário que impede que sua alma e coração sejam renovados, quebrantados, para o arrependimento.
c.       Outro exemplo refere-se àqueles que chegarão para Jesus no último dia falando que “em teu nome profetizamos, realizamos milagres, expulsamos demônios” (Mateus 7.22), mas Jesus dirá a eles que não os conhece. Note que Jesus não os desautoriza dizendo que as profecias ou milagres deles eram falsos, diz simplesmente que não os conhece. Jesus está falando de pessoas que conheciam intimamente o evangelho, que possivelmente tinham até mesmo dons espirituais (1 Samuel 19.20-24; Números 22.28, 35; João 11.49-51), mas que não eram salvos, que não haviam crido e se rendido de todo coração ao senhorio de Cristo Jesus. É nesse contexto que o autor de Hebreus diz, se essas pessoas conhecendo a verdade do evangelho, ainda assim o rejeitam, “é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento”.
d.       Lembre-se: Salvação é o apego aos desígnios de Deus diante do abandono de nossa própria vida (Mateus 10:37-39; 16:25). Se você não creu em Cristo e fez ele o dono de sua vida, não importa a vida cristã ou os dons espirituais que você tenha, você não é salvo.
e.       É semelhante ao que acontece com os que blasfemam contra o Espírito Santo. Sua salvação é impossível não porque foram amaldiçoados ou impedidos por Deus; mas porque, ao rejeitarem o Espírito, eles fecham a porta para o Reino de Deus (Mateus 12.28) e para o único que pode convence-los do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). Lembre-se que blasfemar contra o Espírito é rejeita-lo atribuindo sua ação a um demônio. Ou seja, uma rejeição firme e absoluta.
6.      Hebreus 10.26 – “Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados”.
7.      Hebreus 10.29 – “Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça?”
a.       Esses dois textos de Hebreus 10 falam acerca da condenação daqueles que deliberadamente rejeitam a salvação em Cristo. Pessoas que continuam em sua vida de pecado mesmo após conhecerem a verdade.
b.       No verso 26 o escritor afirma que “já não resta sacrifício pelos pecados”. Porque, como o sistema levítico de sacrifícios pelos pecados já foi revogado por Deus, não resta nenhuma alternativa de salvação para aqueles que rejeitam a verdade (João 14:6).
c.       No verso 29, o escritor compara o castigo que sofria quem rejeitava a lei de Moisés (v. 28) com o castigo ainda maior que sofrerá aquele que rejeitar e desprezar o Filho de Deus.
8.      Hebreus 10.35-39 – “Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele. Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que creem e são salvos”.
Este texto simplesmente ressalta a diferença entre os salvos e os “simpatizantes” do Evangelho como Saul e Judas Iscariotes – “nos não somos como os que retrocedem”.

A soberania de Deus na salvação dos homens - J. Edwards


“Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” (Romanos 9:18).
O apóstolo, no início deste capítulo, expressa sua grande preocupação e tristeza de coração pela nação dos Judeus, que foram rejeitados por Deus. Isso o leva a observar a diferença que Deus fez por eleição entre alguns dos Judeus e outros, e entre a maior parte daquele povo e os Cristãos Gentios. Ao falar isso, ele entra em uma discussão no ponto mais específico da Soberania de Deus na eleição de alguns para a vida eterna, e rejeição dos outros, do que é encontrado em qualquer outra parte da Bíblia; no curso da qual ele cita várias passagens do Antigo Testamento, confirmando e ilustrando esta Doutrina.


Defesa da doutrina da perseverança dos santos



Nas palavras de Arthur Stone, a perseverança dos santos “é a total impossibilidade para o eleito de Deus, aquele que foi convencido de pecado pelo Espírito Santo e lavado no precioso sangue de Jesus, de se perder”. Vejamos alguns testemunhos bíblicos a respeito dessa doutrina:
1.       Salvar o homem do poder do pecado foi o Plano de Deus desde o início.
Gênesis 3.15 – “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (cf. Gl 3.16).
Este texto é denominado “Proto-Evangelho”, a primeira referência feita ao Redentor, e trata da eterna inimizade entre aqueles que amam a Deus e os que amam a si mesmo (representada no conflito entre Caim e Abel).

2.      Jesus se comprometeu com o Pai Eterno que nenhum salvo seria lançado fora, não se perderia, e seria ressuscitado no último dia:
João 6.37-40 – “Todo aquele que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei. Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Porque a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia"
3.      Jesus se comprometeu diretamente com os seus discípulos que nada e nem ninguém poderia arrancá-los das mãos de Deus (Jesus garante a salvação eterna do seu povo):
João 10:28 – “Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão”.
João 10:29 – “Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai”.
4.      Jesus intercede ao Pai pela preservação dos salvos, para que nada tire deles a Graça, e é inconcebível que a oração de Jesus em favor dos salvos fique sem resposta. Isto é, não somos nós que seguramos na mão de Deus, mas Ele segura em nossa mão para que não nos percamos.
João 17:9 – “Eu rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus”.
João 17:24 – “Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo”.
5.      O Pai dá autoridade ao Filho para que Ele conceda vida eterna a todos os que o Pai dá ao Filho. É correto afirmar que só é verdadeiramente salvo aquele que foi dado ao Filho pelo Pai.
João 17:2 – “Pois lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste”.
João 17:6 – “Eu revelei teu nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus; tu os deste a mim, e eles têm obedecido à tua palavra”.
6.      Na salvação não há possibilidade de perdição porque Jesus salva totalmente.
Romanos 8:34 – “Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós”.
Hebreus 7:25 –  “Portanto, ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles”.
7.      Em sua oração ao Pai, Jesus roga que o Pai os guarde, para que nenhum dos salvos se perca:
João 17:11 – “Não ficarei mais no mundo, mas eles ainda estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um”.
João 17:12 – “Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei no nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura”.
Em outras palavras: Jesus sabia que, se dependêssemos de nós, nenhum de nós permaneceria no caminho. É por isso que Ele ora diretamente ao Pai, pedindo ao Pai que não permita que nos percamos. É como se Jesus pedisse: “Proteja-os deles mesmos”.
8.      A Palavra de Deus garante que todos os que foram “justificados” também serão “glorificados”. Isso significa que ninguém que seja justificado ficará pelo caminho não alcançando a glorificação.
Romanos 8:30 – “E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou”.
A Confissão de Westminster diz: “Os que Deus aceitou em seu Bem-Amado, eficazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas, com toda certeza, hão de perseverar nesse estado até o fim e estarão eternamente salvos” (XVII. 1).
9.      Outra razão pela qual o salvo não pode perder a salvação é porque quando ele foi lavado pelo sangue de Jesus Cristo, ele foi aperfeiçoado para sempre:
Hebreus 10:14 – “(...) porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”.
A expressão pode significar também “aperfeiçoou completamente” ou “de maneira definitiva”. A ideia é que a obra de Deus é perfeita, não precisa de reparos nem de complementação.
 10.  Outra prova irrefutável de que o salvo não pode perder a sua salvação é o fato do Espírito Santo habitar nele.
II Coríntios 1:21-22 – “Ora, é Deus que faz que nós e vocês permaneçamos firmes em Cristo. Ele nos ungiu, nos selou como sua propriedade e pôs o seu Espírito em nossos corações como garantia do que está por vir”.
O Espírito é um selo significando que Deus nos selou para a Salvação. O Espírito é também um penhor, a garantia da salvação completa que ainda será realizada.
Deus sabe que nós não podemos garantir nossa salvação e que, se depender de nós, a perdição é uma certeza. Então, para que nossa fraqueza e natureza pecaminosa não destruíssem nossa esperança em Cristo Jesus, Deus nos dá um selo, uma garantia eterna de que Ele cumprirá sua promessa de receber-nos em sua glória.

O que é salvação



Ser salvo é MORRER para o pecado (Romanos 6:7).
Salvação é a libertação do “domínio” do pecado e o livre acesso à presença de Deus mediante a união com Cristo em sua morte e ressurreição através do Espírito Santo. Assim, salvação implica em morte.
Uma pessoa somente é salva do pecado quando ela morre (e é sepultada para o pecado) e renasce com uma nova natureza espiritual – Como viveremos ainda no pecado, nós que morremos para o pecado? (Romanos 6:2).
Ser salvo É NASCER (renascer, ressuscitar, ser regenerado) pelo Espírito Santo (João 3:3,5-6; Romanos 6:5) que opera no justo, capacitando-o para uma vida de retidão diante de Deus e de correção diante dos homens (Romanos. 8.33; 3.24);
Uma pessoa só pode ter uma nova vida, nascer de novo, ser salva, quando ela morre para o domínio do pecado. É uma transformação definitiva.
A santificação é o processo que, principiando na regeneração, leva o homem à realização dos propósitos de Deus para sua vida e o habilita a progredir em busca da perfeição moral e espiritual de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Espírito Santo que nele habita (João. 17:17; I Tessalonicenses 4:3; 5:23; 4:7).
A glorificação é o ponto culminante da obra da salvação (Romanos 8:30; II Pedro 1:10,11; I João 3:2; Filemon 3:12; Hebreus 6:11).
Nos próximos posts iremos verificar algumas questões específicas acerca da salvação e compreender porque o salvo em Cristo não pode, por nenhuma razão, perder essa condição.

O que não é salvação?


Ser salvo NÃO é tomar uma decisão.
Ser salvo NÃO É mudar de vida.
Ser salvo NÃO É ser membro de uma igreja evangélica, dizer que ama a Deus, ler a Bíblia, dedicar-se na vida cristã.
Ser salvo NÃO É uma atitude intelectual que você pode ignorar substituir por outra depois de um tempo.
A salvação NÃO É algo que você ganha, carrega consigo, e pode perder em algum momento.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Isso não é pra mim


Depois de uma exposição sobre meios de compartilhar o evangelho com vizinhos, amigos e colegas não crentes; uma pessoa me diz sorrindo a frase que é o título desse texto: isso não é pra mim. Essa pessoa não se acha comunicativa, simpática ou “popular” o suficiente para dedicar-se à tarefa de se envolver com seus vizinhos com a intenção de compartilhar o evangelho com eles.
São poucos os crentes que dizem isso, mas são muitos, muitíssimos os que pensam da mesma maneira. “Isso não é pra mim” é o que dizem professores de Escola Bíblica, líderes de jovens, ministros de música, diáconos e até mesmo, acredite se quiser, pastores. “Isso não é pra mim”, meu negócio é ministério de música, meu negócio é trabalhar com as crianças, meu negócio é cuidar do som da igreja, meu negócio é visitar os membros ausentes, meu negócio é esse ou aquele, mas isso de envolver-me com incrédulos para compartilhar Jesus… “isso não é pra mim”.

Imagine

Permita-me sugerir uma hipótese: Você acha que diria que “isso não é pra mim” quando seu vizinho chegasse visivelmente perturbado a sua casa perguntando se você pode conversar com ele um pouco? Seu vizinho só veio até você porque nos dias anteriores você fez um esforço sobre-humano para puxar conversa com ele e até mesmo arranjou desculpas para justificar visitas apenas para que durante a conversa conseguisse falar algo de sua fé, do seu Cristo, do evangelho que você tanto ama. Algumas pessoas fazem isso com naturalidade, mas você não, você precisa se esforçar e às vezes transpira e treme as mãos planejando uma abordagem. Mas agora, finalmente é seu vizinho que vem até você, sedento querendo ouvir um pouco mais. Vocês se sentam e depois de um copo com água e alguns minutos de conversa, você pergunta a ele antes de orar: “Você quer entregar sua vida para Jesus?”, “quer pedir a Cristo que entre em seu coração, perdoe seus pecados e lhe dê a salvação?”“você quer ser um crente em Cristo Jesus como eu sou?”. Você consegue se imaginar dizendo nesse momento a frase título desse texto?
Você acha que diria “isso não é pra mim” ao ver seu vizinho, sua amiga, seu irmão ou aquele colega de trabalho se batizando? Aquela pessoa que você custava acreditar que um dia pudesse se converter a Cristo? Ou será que ao invés disso, ao ver seu vizinho ser batizado, você estaria com lágrimas agradecendo a Deus o privilégio de participar daquele acontecimento que é tão especial a ponto de fazer acontecer uma festa no céu.

Um exercício

Se você não se impressionou ou se comoveu com minha hipótese acima, permita-se ser mais literalmente bíblico. Proponho o seguinte exercício: Após ler cada um dos cinco versos abaixo faça uma das duas seguintes afirmações: 1) Sim, isso é para mim ou, 2) Não, isso não é pra mim. Vamos ao exercício:
Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século (Mateus 28:18-20).
[   ] Isso é pra mim
[   ] Isso não é pra mim
E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura (Marcos 16:15).
[   ] Isso é pra mim
[   ] Isso não é pra mim
Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1:8).
[   ] Isso é pra mim
[   ] Isso não é pra mim
De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus(2Coríntios 5:20).
[   ] Isso é pra mim
[   ] Isso não é pra mim
Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pedro 2:9).
[   ] Isso é pra mim
[   ] Isso não é pra mim
Conseguiu? Talvez você me surpreenda, mas imagino que você não tenha marcado nenhuma das afirmações acima com a segunda opção “isso não é pra mim”. Provavelmente porque você percebeu que só pode dizer isso aqueles que não se incluem entre os discípulos de Cristo, que não se incluem entre aqueles que têm o Espírito Santo e que não fazem parte da “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus”. Para todos os que são discípulos de Jesus a missão mais importante através da qual eles serão honrados ou censurados no Dia do Juízo, está descrita nos versos acima. Se esse não for seu caso, você está certo, isso não é pra você.

E o meu ministério?

Termino com uma pergunta que algum crente poderia fazer: Mas e o meu ministério? Não posso ter um ministério ou vocação especifica que não seja compartilhar o evangelho? Para que esse texto não se alongue muito vou dar a resposta mais simples e direta a essa pergunta: Qualquer ministério ou vocação só tem valor no reino de Deus se você obedece ao chamado da grande comissão.
Se você não se ocupa em “pregar o evangelho a toda criatura” você está fora da visão e da missão. Você pode ser um fantástico professor de Bíblia, pode ser um dedicadíssimo líder de música ou um crente que ama visitar os necessitados, educar as crianças ou cuidar do som da Igreja; mas, se você não está empenhado em anunciar salvação aos perdidos, você chegará no dia do Juízo Final com sangue nas mãos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Você tem livre arbítrio?


Só dois homens na história tiveram livre arbítrio: Adão e Cristo. Todos os outros homens nascem escravos do pecado. Assim como é obviamente falso afirmar que um escravo é livre para escolher, ou que um morto pode tomar decisões, assim também é afirmar que homens pecadores têm livre arbítrio.

“Mas eu escolhi crer em Jesus” – você talvez diga. “Eu aceitei a Cristo” é uma expressão comum no meio evangélico; mas a Bíblia nos ensina claramente que nossa decisão de crer no Evangelho só acontece porque Deus nos escolheu . Somos capazes de escolher lutar contra o pecado somente quando Deus soberanamente nos alcança com uma graça que não merecemos, nos dando um novo espírito e um novo coração. 

Se isso não tivesse acontecido você jamais buscaria a Deus, ainda estaria zombando do Evangelho; mesmo tendo um conhecimento natural acerca de Deus, continuaria na prática do pecado mesmo sabendo da destruição que te aguarda. 
Se você em algum momento escolheu crer no Evangelho; só fez isso porque Deus te escolheu muito antes e porque Cristo te atraiu de modo irresistível, capacitando você a reconhecer seu pecado e a justiça de Deus ao fazê-lo nascer de novo . É por isso que toda a glória pertence a Ele. 

É por isso que Lutero disse que "se algum homem, de alguma maneira, atribuir a salvação ao livre-arbítrio do homem - mesmo uma ínfima parte - nada sabe sobre a graça e não conheceu Jesus Cristo corretamente". Por isso Charles Spurgeon explicou assim como Cristo converte um pecador: “Ele não lhes pede seu consentimento; o consegue de fato. Ele não diz ‘quer recebê-lo?’ mas faz que vocês queiram no dia do poder de Deus. Não contra sua vontade, mas faz que vocês queiram. Ele mostra-lhes seu valor, e logo vocês se encantam dele, e correm diretamente atrás dele e o obtêm”. Afinal de contas, aqueles que estão mortos em seus pecados nada podem escolher ou decidir.

Quando Cristo dá vida a esses mortos, Ele os faz livres ; mas não se trata de livre arbítrio. Cristo nos liberta do pecado ao tornar-se o Senhor de nossa vida. Em outras palavras, deixamos de ser escravos do pecado para nos tornamos escravos de Cristo . Aleluia!