quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Deus escolhe a pessoa com a qual você deve se casar?



Em outras palavras: Deus tem uma pessoa preparada para ser sua futura esposa ou seu futuro marido? De modo que se você se casar com qualquer outra, você estará se casando com a pessoa errada?

Antes de respondermos essa pergunta com um simples SIM ou NÃO. Vamos caminhar um pouco pela história bíblica e ver o que ela nos ensina

Adão e Eva

Se essa pergunta fosse feita para Adão a resposta seria SIM; afinal, Eva não apenas era a única mulher do mundo, mas também só passou a existir em razão da necessidade de Adão encontrar uma esposa. Todos os homens depois de Adão, quando já existem milhares e milhares de mulheres, precisam fazer uma escolha, selecionar dentre inúmeras mulheres aquela que será sua “auxiliadora idônea”.

Isaque e Rebeca

O segundo casamento descrito na Bíblia é o de Isaque. O que aprendemos aqui é que Abraão toma a iniciativa quanto ao TIPO certo de pessoa para se casar com seu filho. Vejamos: 

Abraão se preocupou com a futura esposa do seu filho e encarregou um servo para buscar uma esposa para Isaque. O que temos aqui é um casamento por procuração; Abraão deu uma procuração para que seu servo encontrasse uma esposa para seu filho dentro de um determinado tipo de mulheres. Abraão fez seu servo jurar que “não tomarás esposa para meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais habito; mas irás à minha parentela e daí tomarás esposa para Isaque, meu filho” (Gênesis 24:3-4). 

Após encontrar Rebeca, o servo de Abraão agradece a Deus porque “o Senhor me guiou à casa dos parentes de meu senhor” (Gênesis 24:27). A ênfase aqui é que a esposa daquele que herdaria as promessas de Deus não poderia ser uma mulher “das filhas dos cananeus”.

Jacó e Léia/Raquel

O que aconteceu em relação a Isaque e Rebeca volta a acontecer agora no casamento de Jacó.

A história começa mostrando o descontentamento de Rebeca em relação às esposas de Esaú: “Disse Rebeca a Isaque: Aborrecida estou da minha vida, por causa das filhas de Hete; se Jacó tomar esposa dentre as filhas de Hete, tais como estas, as filhas desta terra, de que me servirá a vida?” (Gênesis 27:46). A insatisfação de Rebeca não era só porque suas noras eram da família de Hete, mas porque eram “filhas desta terra”; isto é, mulheres cananeias. Rebeca está certa que seu filho Jacó não deveria se casar com esse tipo de mulher.

A reclamação de Rebeca faz com que Jacó perceba o perigo de que o herdeiro da promessa da aliança se case com uma mulher daquela terra; e ele toma uma atitude: “Isaque chamou a Jacó e, dando-lhe a sua bênção, lhe ordenou, dizendo: Não tomarás esposa dentre as filhas de Canaã. Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma lá por esposa uma das filhas de Labão, irmão de tua mãe" (Gênesis 28:1-3).

Os dois filtros

Tanto Abraão ao escolher uma mulher para Isaque, como Isaque ao escolher uma mulher para Jacó, não se preocuparam exatamente com a pessoa em si, mas com o TIPO de pessoa. A ênfase é dupla: Eles sabiam o que não queriam (uma mulher da terra, cananéia, que participasse daquela cultura idólatra e perversa já condenada à destruição), mas sabiam também o que queriam (uma mulher de dentro da parentela). 

As duas ênfases são simples e extraordinárias: 
  • A promessa que Deus deu a Abraão e foi herdada por Isaque e Jacó implicava na destruição dos cananeus, um povo idólatra e perverso. Logo, não é de se admirar que Abraão e Isaque não quisesse que seus filhos se casassem com mulheres desse povo.
  • De todas as famílias da terra, Deus escolheu a família de Abraão para formar dela um povo especial. Sendo assim, não é de se estranhar que os pais buscassem dentro dessa parentela as esposas dos seus filhos. O objetivo aqui é por uma esposa que “fala a mesma língua e que sabe o propósito do casamento, que não é só satisfazer um ao outro, mas, principalmente, satisfazer o próprio Deus. O casamento com alguém que não tem a mesma visão é buscar luta e problemas, pois visões diferentes causam conflitos sérios”.[1] Já que Isaque e Jacó teriam um papel de extrema importância dentro do plano de Deus, a escolha de suas esposas também era de vital importância.
Duas coisas ficam claras aqui:

1. A primeira preocupação não é com quem eu vou me casar, mas que tipo de homem ou mulher eu serei. Se você quer ser um missionário pregando entre povos não alcançados, uma médica fazendo trabalho humanitário na África ou um pastor pregando o Evangelho; isso afetará a sua atitude na escolha do seu cônjuge. A preocupação de Abraão com a futura esposa de Isaque é porque Abraão sabe da importância do seu filho, seu filho tem um propósito grandioso na vida e precisará de uma esposa a altura.

2. Quando se trata da pessoa com quem vamos nos casar, a questão fundamental não é com qual pessoa específica eu irei me casar; mas sim, com qual tipo de pessoa quero me casar. Você se casaria com uma pessoa que é linda, gentil, dedicada, responsável, mas incrédula? Você se casaria com uma pessoa crente, mas cuja espiritualidade se satisfaz com cultos de domingo e nada mais? Ou com uma pessoa que é estúpida ou agressiva? Com alguém que não valoriza suas conquistas? Com alguém que é crente, mas não demonstra verdadeiro temor a Deus? Rapaz, você se casaria com uma moça que não respeita a mãe dela? Moça, você se casaria com um rapaz que te agrediu durante uma discussão, mesmo ele pedindo perdão mil vezes depois? Essas perguntas dizem respeito ao tipo de pessoa.

O “tipo de pessoa que eu serei” e o “tipo de cônjuge que quero ter” são dois filtros que irão fazer uma seleção prévia entre as pessoas com quem você poderá se casar. Se você sabe que tipo de pessoa você quer ser, isso naturalmente irá selecionar as pessoas que poderão ser seu cônjuge. Esse grupo será ainda mais restringido quando você aplicar o segundo filtro.

A pergunta em questão?

Avançando na história bíblica não vemos Deus determinando ou conduzindo nenhum dos seus servos a casar-se com uma pessoa específica. Isso não acontece com nenhum dos filhos de Jacó, não acontece com Moisés ou com Josué, não acontece com nenhum dos juízes e nem mesmo com Davi ou qualquer um dos reis de Israel. Deus proibiu que Jeremias se casasse, mas não orientou de forma específica o casamento de nenhum dos profetas. Nos tempos do Novo Testamento não temos nenhuma palavra de Jesus ou dos apóstolos nesse sentido.

Sendo assim, de onde surgiu essa ideia que Deus escolhe a pessoa certa com a qual devemos nos casar?

A soberania de Deus e as minhas escolhas pessoais

Deus governa sobre todas as coisas, Ele cumpre sua vontade em toda história e em todo universo, Ele sabe todas as coisas e é o Senhor da história. Como bem disse Abraham Kuyper:
“não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: É meu!”. 

Deus governa sobre minhas escolhas, mas ainda assim eu sou responsável pelas minhas escolhas. A Bíblia nos mostra claramente que “Deus governa todas as coisas, inclusive as escolhas e os desejos humanos. Mas, por outro lado, os seres humanos são responsabilizados por fazerem coisas reprováveis ou louváveis” (John Piper). Alguns exemplos? 

Judas Iscariotes: Ao trair Jesus, Judas tomou uma decisão movida pela sua cobiça e incredulidade. Ele é totalmente responsável pela sua escolha; Jesus deixa isso claro quando, conversando com Pilatos, refere-se a Judas dizendo: “quem me entregou a ti maior pecado tem”. No entanto, ao trair Jesus, Judas cumpre uma profecia anunciada centenas de anos antes. Na eleição de Matias, o apóstolo Pedro declara que “convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia dos que prenderam Jesus”. Na oração que os apóstolos fizeram para escolher Matias, eles se referem a Judas como “aquele que se transviou, indo para o seu próprio lugar”

Ou seja, embora Deus houvesse determinado muito antes que Judas fizesse aquilo, ainda assim ele é responsável por suas ações porque ele efetivamente as realizou pelo seu desejo e vontade. 

Pilatos, Herodes e os Judeus: Em Atos 4.27-28, os crentes declaram numa oração que, ao torturarem Jesus Cristo e o condenarem à morte na cruz, os judeus, Pilatos e Herodes estavam fazendo “tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram”. Assim, como Judas, eles fizeram aquilo que Deus havia determinado que fizessem; no entanto, eles são responsáveis pelas suas ações porque eles efetivamente desejaram fazer isso. 

É humanamente impossível para nós explicar como eu posso fazer algo que Deus determinou e assim ser responsável por isso; ou como eu posso fazer algo que eu quero e, ainda assim, isso ser algo que Deus determinou milhares de anos antes. Isso pode não fazer sentido ou ser difícil de aceitar; mas o fato é que a Bíblia ensina claramente que Deus é absolutamente soberano e ainda assim nossas escolhas têm sentido real e somos responsáveis por elas. 

Isso inclui sua vida, suas decisões pessoais como a escolha do seu cônjuge. Nenhuma dessas escolhas acontece aparte da vontade de Deus; ainda assim, você é totalmente responsável por cada uma delas.

Então, como escolher?

Diante de tudo o que foi exposto, podemos afirmar que justificar um relacionamento fracassado dizendo que “não era a pessoa certa” ou “não era a pessoa que Deus escolheu para mim” não é sábio. Assim como não é sábio ficar à espera de alguma revelação que te indique a pessoa certa para casar. Sendo assim, já que é um falso e tolo romantismo dizer que “foi Deus que escolheu para mim”, como escolher seu futuro cônjuge? 

Como diz Sherri Huleatt,[2] “é trabalho duro achar um cônjuge adequado”. Por isso ela sugere que ao invés de usar o misticismo ou buscar confirmações emocionais ou carismáticas, nós deveríamos aplicar a sabedoria que Deus nos dá: esta pessoa é crente? Eu confio nela? Eu gosto dela? Ela pode resolver um conflito? Se forem contempladas estas e outras preocupações, então há uma última pergunta para responder: eu quero fazer isso? 

Para auxiliar esse trabalho duro, quero terminar sugerindo três perguntas a serem respondidas por você quando estiver à procura de um cônjuge: 
  1. Quem eu quero ser? Pense em quem você é e na pessoa que quer se tornar. Seu cônjuge deverá cooperar com esse propósito de vida.
  2. Que tipo de pessoa eu quero ter ao meu lado? Pense no tipo de pessoa que deve ser seu futuro par. Quais são as características, comportamentos e valores que são inegociáveis para você?
  3. O que a Bíblia diz sobre o marido e a esposa que agrada a Deus? Se você é um rapaz, procure na Bíblia os valores cristãos que devem caracterizar uma esposa (sabedoria, beleza, submissão, auxiliadora idônea, etc). Se você é uma moça, procure na Bíblia os valores que devem caracterizar um marido que agrada a Deus (amor sacrificial, liderança, sabedoria, trabalho, etc).
Nessas três respostas você tem o mapa que pode desfazer a grande maioria das dúvidas quando à decisão de escolher ou não alguém para ser seu cônjuge. Se você tiver a extraordinária sorte de ter duas ou mais pessoas que atendam perfeitamente as três questões acima, deixe que o brilho nos olhos e o palpitar do coração decida a questão.

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[1] Citado de “Casamento dos Sonhos”. Disponível em www.euvosescrevi.com.br.
[2] Disponível no excelente site todahelohim.com
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