quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O que é o batismo no Espírito Santo?

O batismo no Espírito Santo é aquilo que acontece quando um pecador se arrepende dos seus pecados e crê em Jesus como seu Senhor e Salvador. Quando isso acontece, o Espírito Santo vem habitar nessa pessoa, fazendo-a nascer de novo e tornar parte do povo de Deus que é a Igreja de Cristo.
O batismo é um rito de iniciação. O batismo no Espírito Santo é o momento em que Deus pelo Seu Espírito nos recebe, nos regenera e nos faz parte do corpo de Cristo. Ou seja, é aquilo que acontece no momento de nossa conversão. A primeira referência explícita a batismo no Espírito sai dos lábios de João Batista em Mateus 3.11-12. Vejamos:

Mateus 3.11-12

A primeira menção ao batismo no Espírito Santo aparece com João Batista resumindo o ministério que Jesus em duas coisas: batizar com o Espírito e com fogo. Jesus batiza com o Espírito aqueles que são salvos; salvação ilustrada por João Batista com o ato de “recolher o trigo no celeiro”. O contrário disso é batizar com fogo, que é “queimar a palha com fogo inextinguível”. Em vários momentos o ministério de Cristo será colocado nesses termos: sua palavra traz salvação ou condenação (João 3.18), ele é rocha de salvação ou pedra de tropeço (1 Pedro 2.7-8), ele batiza com o Espírito ou com fogo.
OS DOIS BATISMOS (MATEUS 3.11-12)
SALVAÇÃO
CONDENAÇÃO
Batizar com o Espírito Santo
Batizar com fogo
Recolher o trigo no celeiro
Queimar a palha com fogo inextinguível

Quem é batizado no Espírito Santo?

A Bíblia deixa claro que TODOS os salvos são batizados no Espírito Santo.
Assim, também, todos nós, judeus e não judeus, escravos e livres, fomos batizados pelo mesmo Espírito para formar um só corpo. E a todos nós foi dado de beber do mesmo Espírito (1 CORÍNTIOS 12.13).
Pedro respondeu: — Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo (ATOS 2.38).
A Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira observa que:
A regeneração é o ato inicial da salvação em que Deus faz nascer de novo o pecador perdido, dele fazendo uma nova criatura em Cristo. É obra do Espírito Santo em que o pecador recebe o perdão, a justificação, a adoção como filho de Deus, a vida eterna e o dom do Espírito Santo. Nesse ato o novo crente é batizado no Espírito Santo, é por ele selado para o dia da redenção final e é liberto do castigo eterno dos seus pecados.
O recebimento do Espírito Santo sempre ocorre quando os pecadores se convertem a Jesus Cristo, que os integra, regenerados pelo Espírito, à igreja.
Após observar corretamente que “não é concebível a ideia de que alguém possa ser crente sem possuir o Espírito Santo”, Judson F. Marques[1], da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro escreve:
... o novo crente é batizado no Espírito Santo ao se converter a Cristo (1Co 12.13). Logo, o batismo no Espírito Santo é uma coisa passada na vida do crente e não algo que deva ser buscado depois de convertido. Alguns confundem o batismo no Espírito Santo com a plenitude. A ordem bíblica é: “Enchei-vos do espírito.” (Ef 5.18).
Ao conversar com Nicodemos, Jesus ensina que nós nascemos de novo através do Espírito Santo (João 3.5) e que não podemos receber a vida que Deus nos dá se não for mediante o Espírito Santo (João 6.63). Paulo ensina que só somos salvos se temos o Espírito de Deus (Romanos 8.9) e é o Espírito Santo em nós que nos dá a certeza de que somos filhos de Deus (Romanos 8.16). Falando aos crentes de Corinto, ele diz que só podemos entender o que Deus nos dá porque temos o Espírito de Deus (2 Coríntios 2.12) e não apenas isso, até mesmo as nossas orações somente são possíveis mediante a ação do Espírito Santo em nós (Romanos 8.26). Toda essa ação do Espírito Santo em nós começa com o batismo do Espírito Santo no ato de nossa conversão.

Segunda bênção?

A dificuldade de muitos com a doutrina do batismo no Espírito Santo é porque alguns ensinam que o batismo no Espírito Santo é uma segunda experiência na vida do crente, diferente da conversão e evidenciada pelo dom de línguas estranhas. Há ainda aqueles que ensinam que há uma diferença entre o batismo no Espírito e o que eles chamam de “batismo de poder”. Segundo essas pessoas, como o Pr. Marcelo Toschi, da PIB de Marília, todos os salvos têm o Espírito, mas não o poder do Espírito. Esse poder do Espírito é uma segunda bênção que todos os salvos devem buscar. É basicamente o mesmo ensino da Igreja Batista da Lagoinha[2] de que “todos os cristãos tem o Espírito de Deus habitando em seu interior”, mas não a virtude, o poder e os dons do Espírito; que só aconteceria quando acontecesse o batismo no Espírito Santo. Ou seja, até que houvesse essa experiência, o Espírito Santo que habitasse na pessoa seria um Espírito desprovido de poder e glória, algo meramente nominal, protocolar.

O batismo no Espírito no livro de Atos

Esse entendimento equivocado acerca da doutrina do batismo no Espírito Santo pode ser explicado em parte porque há no livro de Atos quatro experiências de batismo no Espírito Santo. Ou melhor, há quatro acontecimentos históricos associados a batismo no Espírito: Com os discípulos de Jesus no dia de Pentecostes (Atos 2), em Samaria (Atos 8.14-17), na casa de Cornélio (Atos 10) e em Éfeso (Atos 19). Vamos entender?
1.      A descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes (Atos 2) sobre os discípulos de Jesus cumpre as profecias antigas acerca do derramamento do Espírito e o próprio anúncio de Jesus acerca da vinda do Consolador (João 14.16). Aquele acontecimento histórico marcou o início de uma nova etapa no povo de Deus. Começa aqui um novo tempo, mas a fase de transição vai se desenrolar ainda por algum tempo.
2.      O batismo no Espírito Santo em Samaria (Atos 8): Todos aqueles que receberam o Espírito Santo no dia de Pentecostes eram judeus, mas será que a salvação é somente para eles? Havia grande resistência entre os discípulos de Jesus em relação aos samaritanos (pouco tempo antes Tiago e João tinham pedido permissão de Jesus para orar clamando fogo do céu sobre eles). A descida do Espírito Santo sobre os samaritanos é a prova incontestável que Deus os aceita na igreja de Cristo, da mesma forma como aceita os judeus.
3.      O batismo no Espírito Santo na casa de Cornélio (Atos 10): Se a relação dos judeus com os samaritanos era difícil, a relação com os não judeus era impossível. Um judeu não poderia entrar na casa de um gentio (não judeu), muito menos tomar uma refeição junto com ele, e esse era o comportamento dos cristãos até então. Lembre-se que a igreja nesse momento é composta de praticamente apenas judeus e alguns poucos samaritanos. A descida do Espírito Santo na casa e na vida de um não-judeu (Cornélio era um cidadão romano) mostra que, pela fé em Cristo Jesus, Deus aceita igualmente judeus e não-judeus sem fazer diferente entre eles.
4.      O batismo no Espírito Santo em Éfeso (Atos 19): Aqui o batismo do Espírito Santo acontece com cerca de doze discípulos de João. Eles eram cristãos, mas não sabiam nada acerca do Espírito Santo. Paulo explica que João Batista batizava com água, mas já anunciava que depois dele viria alguém mais poderoso que batizaria com o Espirito Santo. Esses discípulos de João creram nas palavras de Paulo que orou para que eles recebessem o Espírito. A importância desse acontecimento está em reunir na mesma Igreja aqueles que eram discípulos de João Batista. Lembre-se que, durante todo o ministério de Jesus e até esse momento havia os discípulos de Jesus e os discípulos de João Batista, agora não mais. Isso certamente motivou Paulo a escrever que, todos aqueles que estão em Cristo têm o mesmo batismo (Ef 4.5).
Alguns dizem que o batismo do Espírito Sato é uma segunda benção (acontece posterior à salvação) e que o crente tem que buscar essa experiência porque, nesses casos acima, as pessoas receberam o Espirito Santo após haverem professado sua fé em Jesus Cristo. Mas na verdade o livro de Atos mostra a fase de transição no começo da história da Igreja, saindo do povo de Israel e alcançando o mundo, passando por vários grupos étnicos (judeus, samaritanos, gentios). Esses grupos tiveram experiências singulares e únicas para provar que eles estavam sendo incluídos no corpo de Deus. Por isso a experiência deles foi posterior à fé em Cristo Jesus.
Agora, judeus, samaritanos e todos aqueles que não são judeus, discípulos de Jesus e discípulos de João fazem parte da mesma igreja, têm o mesmo Senhor, a mesma fé e o mesmo batismo; a partir de então, todos os outros, inclusive nós, recebem o batismo no Espírito Santo no ato de sua conversão ao crer em Jesus Cristo. É isso que Pedro nos ensina no primeiro sermão após o Pentecostes (Atos 2.38) e Paulo fala aos cristãos de Éfeso (Ef 1.13): Recebemos o Espírito Santo após o arrependimento dos pecados e a fé em Cristo.
A prova disso é que não há duas experiências de descida do Espírito entre os judeus, ou entre os samaritanos ou gentios. As quase três mil pessoas que se converteram após a mensagem de Pedro no dia de pentecostes não receberam posteriormente o batismo no Espírito; isso também não aconteceu com o eunuco batizado por Felipe (Atos 8), nem após a conversão de Paulo (Atos 9), com o muitos que se converteram em Antioquia (Atos 11), com o carcereiro de Filipos (Atos 16) ou com todos aqueles que se converteram em função do trabalho missionário de Paulo. Isso porque ao crerem no Evangelho, eram nesse momento batizados pelo Espírito e assim podiam dá continuidade à obra missionária. Por isso, ao escrever à igreja de Corinto, Paulo diz que “todos nós fomos batizados pelo mesmo Espírito” (1 Coríntios 12.13).

Falar línguas estranhas é evidencia do batismo no Espírito?

Também não é necessário que o batismo no Espírito Santo seja acompanhado ou evidenciado através de línguas. Línguas é um dom espiritual que o apóstolo Paulo diz que nem todos têm (1 Coríntios 12.30). Além disso, as línguas faladas na descida do Espírito no dia de Pentecostes eram outros idiomas, o que possibilitava que qualquer pessoa ouvisse a mensagem do Evangelho em sua própria língua (Atos 2.11). Ao explicar para a igreja em Jerusalém o que aconteceu na casa de Cornélio, Pedro diz que a descida do Espírito ali se deu da mesma forma como foi com eles no dia de Pentecostes (Atos 11.15). Ou seja, as línguas estranhas que falaram foram as línguas de outros povos testemunhando a eles o evangelho. Não há razão para supor que algo diferente aconteceu entre os samaritanos ou no batismo dos discípulos de João em Éfeso.

Então, o que prova que fui batizado no Espírito?

Estudando as quatro manifestações do Espírito Santo no livro de Atos podemos afirmar que as duas evidências abaixo devem estar presentes na vida de uma pessoa batizada pelo Espírito. Se você foi batizado pelo Espírito, você:
1.      Experimentou uma grande disposição e alegria em compartilhar a mensagem do Evangelho. Isso acontece tanto com os crentes judeus no dia de Pentecostes (Atos 2.11), com os não-judeus na casa de Cornélio (Atos 10.46) e com os discípulos de João Batista (Atos 19.6).
2.      A ação de Deus na sua vida resultou em algo visível, facilmente percebível pelas pessoas ao redor. A multidão no Pentecostes claramente percebeu a mudança na vida dos cristãos no Pentecostes (Atos 2.7), Simão também não teve dúvidas aos ver os cristãos samaritanos recebendo o Espírito (Atos 8.18) e aqueles que acompanhavam Pedro também perceberam o poder de Deus descendo sobre os não judeus na casa de Cornélio (Atos 10.45).
Uma pessoa que nunca foi contagiada por uma grande alegria e disposição de anunciar o Evangelho de Cristo e que também nunca teve uma experiência percebível por todos de ousadia e poder vindas do Espírito, NÃO PODE deduzir que é salva em Cristo, batizada no Espírito.
Duas ilustrações para essa impossibilidade de alguém ser salvo sem experimentar essas duas coisas. Conta-se que um notório assassino britânico foi condenado á morte. Na manhã da sua execução, o capelão da penitenciaria o acompanhou até o patíbulo e leu rotineiramente alguns versículos bíblicos. O prisioneiro ficou chocado ao ver o capelão tão insensível, mesmo á sombra da forca. Ele disse ao pregador.
Senhor, se eu cresse naquilo que o senhor e a igreja dizem crer, mesmo que a Inglaterra estivesse coberta de vidro quebrado de costa a costa, eu andaria sobre ele – se necessário sobre as minhas mãos e joelhos – e acharia ter valido a pena só para salvar uma alma de um inferno eterno como esse.
Davi Brainerd, missionário que foi usado por Deus para um avivamento entre os índios norte-americanos, morreu aos 29 anos, mas disse acerca de si mesmo.
Não me importava o lugar ou a maneira em que tivesse de morar, nem por qual sofrimento tivesse de passar, contanto que pudesse ganhar almas para Cristo. Quando dormia, sonhava com essas coisas, e ao acordar, a primeira coisa em que me ocupava era essa grande obra; não tinha outro desejo a não ser a conversão dos perdidos.
Brainerd e o condenado acima, bem como milhares de cristãos ao longo da história, admitem de forma unânime a impossibilidade que um cristão verdadeiro não tenha uma paixão visível em anunciar o Evangelho de Cristo. Os outros não devem buscar o batismo no Espírito, mas sim, orar pela sua salvação.

Conclusão

Se você verdadeiramente arrependeu-se dos seus pecados e creu em Cristo Jesus como seu Senhor e Salvador, você foi batizado no Espírito Santo. O convencimento feito pelo Espírito, a fé em Jesus Cristo e o arrependimento dos pecados são mudanças que acontecem em nós de forma silenciosa, imperceptível aos outros. Mas tudo isso se torna evidente a todos à nossa volta em razão da entrada do Espírito em nossa vida. Quanto o Espírito de Deus começa a trabalhar em nossas vidas a partir da conversão, a ação dele em nós deixará claro a todos à nossa volta a mudança que ocorreu. Isso acontecerá na medida em que glorificarmos a Deus produzindo o fruto do Espírito (Gálatas 5.22), rejeitando viver de acordo com nossos desejos carnais (Gálatas 5.16), tendo prazer em reunirmos (Atos 2.44), disposição para as coisas do Espírito (Romanos 8.5) e para o exercício dos dons espirituais (1 Coríntios 12.7).
Se isso aconteceu num momento de sua vida, mas não permaneceu, você está em pecado. Precisa, então, tendo se arrependido, procurar ser cheio desse Espírito (Efésios 5.18), transbordar dele (Atos 13.52) em vez de sufocá-lo (1 Tessalonicenses 5.19).

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