quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Pastoras Batistas? Um Exame da Ordenação de Mulheres ao Ministério Pastoral



A ordenação de mulheres para o ministério pastoral está em destaque em algumas denominações e timidamente entre os batistas. A consagração de mulheres para o ministério pastoral não encontra o devido respaldo bíblico. Muitas pessoas estão confusas quanto ao que crer acerca do assunto. Já que não sou favorável à ordenação de mulheres devo explicar sincera e cuidadosamente esta minha posição e procedimento.


O preâmbulo dos meus comentários põe em destaque dois aspectos. Primeiramente, exponho aqui uma convicção pessoal, e não deve ser entendida como uma crítica severa sobre o que outros crêem e praticam. Como tantos outros, eu creio na autonomia da igreja local. Sendo uma assembléia, rege-se por leis que não foram criadas por ela. Jesus Cristo, seu fundador é o legislador. Assim, as igrejas fiéis têm a Bíblia e, com especialidade, o Novo Testamento como regra de fé e prática. É em obediência aos ensinos da Bíblia que as igrejas devem exercer sua autonomia não indiferentes e aleatoriamente. Em segundo lugar, devo dizer que tenho a mais alta consideração pela posição das mulheres no serviço de Deus, tanto agora como através da história. No Antigo Testamento, Débora foi uma profetiza e juíza, só para dar um exemplo bastante. Dois livros no Antigo Testamento distinguem duas mulheres no cenário histórico do povo de Israel – Rute e Ester.

No cenário do Novo Testamento constatamos o privilégio das mulheres de receberem o anúncio tanto do nascimento quanto da ressurreição de Jesus em primeira mão. (Lucas 1:26-31; 24:1-10). Desde o seu ministério na Galiléia mulheres devotas seguiram nosso Senhor e finalmente o sustentaram (Marcos 15:41; Lucas 8:2-3). É importante notar que essas mulheres permaneceram fiéis a Cristo mesmo quando os apóstolos o abandonaram na sua crucificação (João 19:25).

Nas igrejas primitivas houve muitas mulheres fiéis, algumas das quais foram até mesmo presas por amor à causa de Cristo. (Atos 22:4). Lídia, uma mulher de negócio, desempenhou o maior papel na fundação da igreja em Filipos (Atos 16:14-15). Na casa do diácono Filipe, havia quatro filhas que eram profetizas (Atos 21:8-9).

Priscila e Áquila eram um casal – marido e mulher. Eles auxiliaram o jovem e entusiasta pregador, ensinando e instruindo Apolo em como melhor servir a Cristo (Atos 18:24-26).

Por que então eu não aceito a ordenação de mulheres para o exercício do ministério pastoral? A resposta é simples: é porque, no Novo Testamento este ofício só foi desempenhado por homem. Jesus só escolheu homens para o apostolado, cujos nomes estão registrados nas Sagradas Escrituras do Novo Testamento.

No livro de Atos dos Apóstolos na substituição de Judas, que era contado entre os doze, o apóstolo Pedro declarou que devia ser escolhido dentre eles “homens” que conviveram com Jesus desde o batismo de João até a sua ascensão (Atos 1:20-22). A palavra usada para “homens” neste texto é varões (andrwn) no original grego; uma palavra que designa somente o lado masculino do ser humano.

É de bom alvitre recordar que é a mesma palavra grega, traduzida por varão que sempre serve para designar o elemento masculino do ser humano e não uma palavra com significação genérica “anfrwpoj” – homem que envolve tanto o lado masculino como o feminino do ser humano. Por exemplo: o homem pecou, mas Cristo veio ao mundo para salvar o homem, isto é, o ser humano – masculino e feminino. Aqui o sentido é genérico.

É fácil de entender que pela revelação divina, o Espírito Santo não deixou uma abertura para opção na ordenação de homem ou de mulher. O elemento masculino foi sempre o escolhido para a função do ministério pastoral. E isto vigorou como princípio no governo das igrejas primitivas, desde o tempo de Cristo até os dias mais recentes.

Haveria uma discriminação egoísta, pecaminosa e vergonhosa nesse procedimento? Não, de modo nenhum, é uma questão da economia divina na revelação. Não há dúvida que no Novo Testamento as mulheres ocupavam a função de profetiza, de professora, prestaram serviço social, evangelizavam e edificavam o corpo de Cristo tão eficientemente como desempenhavam os homens e ainda são muito operosas neste campo, hodiernamente.

Somente homens foram chamados por Deus para servirem a Jesus nas igrejas como pastores, bispos e presbíteros. Neste tipo de lugar de autoridade só homens foram designados para desempenhar. Eu só constato o fato, mas não sei o porquê. Deus é soberano e isto nos basta. E tudo o que Deus faz é perfeito e redunda para o nosso bem, e neste caso o bem-estar das suas igrejas também. Por causa disso a Palavra de Deus não deprecia o elemento feminino.

No Novo Testamento não há qualquer diferença entre o homem e a mulher no campo da salvação e na obra redentora. Cristo dignificou a mulher, pois Deus não faz acepção de pessoas. Mesmo considerando isso, só homens foram vocacionados e exerceram o ministério pastoral.

A ordenação para o ministério pastoral é o reconhecimento público da responsabilidade de cuidar da obra de Deus nas igrejas, especialmente.

Nos dias do Antigo Testamento havia muitas nações vizinhas de Israel com sacerdotisas, e nem assim, esta posição de serviço religioso foi praticada em Israel por mulher. Nenhuma mulher do povo de Deus levantou sua voz para reivindicar a posição de sacerdotisa; ou que líder religioso reclamou isto para o elemento feminino quer por questão cultural, quer por elegante imitação aos povos mais avançados na época? Aí é bom lembrar que os pagãos engendravam suas próprias normas de vida religiosa, pois seus deuses eram inertes, mudos e surdos, ao passo que Israel pautava sua prática religiosa em obediência à revelação procedente do Deus verdadeiro. No tempo do Novo Testamento havia necessidade de obreiros pastores, havendo mesmo a exortação da parte de Jesus, para que fizessem disso motivo de oração, para que o Senhor enviasse obreiros para a sua ceara. E não ocorre o nome de mulher mesmo daquelas que serviram no sustento do ministério de Jesus, nem alguém como Lídia e Dorcas aparecem no ministério pastoral.

Devemos ser sempre gratos a Deus pelo devotado serviço de mulheres na Escritura, através da história e no presente. Devemos continuar respeitando e honrando as mulheres no desempenho do dom que Deus lhes tem dado. Não será prudente, contudo, desenvolvermos a idéia da ordenação da mulher para o ministério pastoral, porque isso não expressa fielmente o ensino da Escritura. Mesmo numa interpretação inferencial dos fatos não encontramos lugar para o procedimento da ordenação de mulher para o ministério pastoral, pelo contrário.

Alguns levantam uma questão de valor sentimental, quando a preferência é ser fiel ao ensino da Palavra. Dizem eles da hipótese de uma missionária nos lugares mais afastados, onde não há pastores por perto; elas podem fazer tudo, para conseguir a conversão de várias pessoas, mas não podem ministrar-lhes as ordenanças. Julgam que isto é uma injustiça para com essas servas do Senhor e que é até hipocrisia dos que conduzem a denominação, na sua interpretação deste assunto.

Pensando bem, uma mulher bem sintonizada com o ensino bíblico nunca se sentiria vocacionada para o ministério pastoral. Então cabe à missionária nas circunstâncias aventadas acima, doutrinar os novos crentes dizendo-lhes que o batismo não salva; o crente é salvo sem batismo, e que se morrer antes de cumprir esta ordenança do Senhor, estará com ele no céu de luz, como aconteceu com o ladrão que Cristo perdoou na cruz. Assim ajudará os novos crentes a terem paciência ao mesmo tempo que comunicará o fato aos líderes da sua junta missionária, para enviar ao campo, de tempos em tempos, um pastor para efetuar batismo e celebrar a ceia do Senhor. O princípio da fidelidade nunca deve ser atropelado por nada. É um axioma da nossa fé. Vale a pena mantê-lo assim como está na Palavra, sem tirar e nem pôr coisa alguma.

Cabe, aos líderes postos nas igrejas, orientá-las com amor e sabedoria. Sabendo que a autonomia da igreja está sujeita à regra de fé e prática já no bojo da Palavra da Verdade. O que resta mesmo a cada igreja e a cada líder é ser fiel na obediência ao ensino de Jesus. Esta fidelidade é até a morte; sempre firmes sabendo que tal atitude não é vã no Senhor. A recompensa não há de faltar aos fiéis.
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José Alves da Silva Bittencourt é pastor batista, atualmente é pastor emérito na Igreja Batista Memorial de Belo Horizonte – MG.

2 comentários:

  1. Já que temos que fazer esse tipo de análise, vamos faze la também com relação ao dízimo e a intercessão das mulheres na Igreja de Cristo. Para ter o título as mulheres não estão de acordo com a Palavra de Deus, porém para dizimar, estão? Para sustentar a igreja com orações, estão? Sem falar no pastereio que tantas mulheres exercem na igreja, sem precisar de títulos. Vcs varões deveriam se preocupar com tantas outras situações que acontecem no nosso meio que necessitam de atenção!

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    1. Mas dizimar e orar são mandamentos bíblicos que não estão de forma alguma vinculados a uma função eclesiástica. Além disso, qualquer cristão vê nas orações e dízimos privilégios que Deus nos concede. Sei que pode ser estranho, mas a liderança ministerial nunca deveria ser vista como privilégio, mas sim como peso, fardo, obrigação. Lembre-se, enfim, que há diversas funções que as mulheres podem desenvolver na igreja, seja nas orações e apoio financeiro, seja na evangelização, trabalho missionário. Para aqueles que realmente querem servir, continuam sendo poucos os ceifeiros.

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