sábado, 23 de fevereiro de 2019

Textos bíblicos que sugerem a possibilidade de perder a salvação



Relaciono abaixo alguns textos que aparentemente sugerem a possibilidade de perder-se a salvação e uma breve análise dos mesmos:
1.      Mateus 10:22 – “Todos odiarão vocês por minha causa, mas aquele que perseverar até o fim será salvo”.
Neste complexo versículo (porque está entre profecias acerca da destruição de Jerusalém e do final dos tempos) a perseverança aparece como uma qualidade dos salvos. Note também que perseverar não é “não pecar”, mas sempre voltar-se para Deus apesar dos pecados e fraquezas.
2.      I Coríntios 3.17 – “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”.
Ao contrário do que muitos pensam, este texto não fala acerca do cuidado com o corpo, mas sim do cuidado com a Igreja e dirige-se aos mestres. Trata do julgamento de Deus no Juízo contra aqueles que, disfarçando-se de mestres, empenharam-se em destruir a Igreja, o santuário de Deus que são os crentes.
3.      Hebreus 3:6 – “Mas Cristo é fiel como Filho sobre a casa de Deus; e esta casa somos nós, se é que nos apegamos firmemente à confiança e à esperança da qual nos gloriamos”.
Na medida em que os apegamos cada vez mais a Deus, cada vez mais Cristo faz de nós sua casa, o lugar da sua habitação, ação e manifestação. Em outras palavras Paulo diz, “somos a casa de Deus se a salvação é real em nós...”.
4.      Hebreus 3:12 – “Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo”.
Uma exortação quando ao cuidado com a vida espiritual (I Pedro 5:8). Acredite! O seu coração pode afastar-se do Deus vivo! Não se trata de perda de salvação, mas perda de comunhão.
5.      Hebreus 6:4-6 – “Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública”.
a.       Esse texto é o mais difícil acerca da salvação, o único que realmente coloca um problema. No entanto, o texto está certamente falando acerca da condenação daqueles que intimamente conheceram o Evangelho e, mesmo assim, o rejeitaram. Para estes não há mais redenção, porque ridicularizaram o sacrifício de Cristo.
b.       Para entender a situação exposta neste texto considere a experiência de dois personagens: Saul e Judas Iscariotes. Ambos experimentaram de tudo o que o escritor de Hebreus fala (o dom celestial, o Espírito Santo, a bondade de Deus e os sinais e maravilhas), no entanto, rejeitaram. Tanto Saul como Judas Iscariotes, acolheram a mensagem divina enquanto ela lhes convinha, mas quanto essa mensagem exigiu deles uma atitude radical de fidelidade e submissão, eles a rejeitaram. No entanto, essa rejeição não é como as das demais pessoas; porque eles conheceram profundamente os desígnios de Deus, mas apegaram-se ainda mais fortemente aos seus próprios desígnios. É esse apego extraordinário que impede que sua alma e coração sejam renovados, quebrantados, para o arrependimento.
c.       Outro exemplo refere-se àqueles que chegarão para Jesus no último dia falando que “em teu nome profetizamos, realizamos milagres, expulsamos demônios” (Mateus 7.22), mas Jesus dirá a eles que não os conhece. Note que Jesus não os desautoriza dizendo que as profecias ou milagres deles eram falsos, diz simplesmente que não os conhece. Jesus está falando de pessoas que conheciam intimamente o evangelho, que possivelmente tinham até mesmo dons espirituais (1 Samuel 19.20-24; Números 22.28, 35; João 11.49-51), mas que não eram salvos, que não haviam crido e se rendido de todo coração ao senhorio de Cristo Jesus. É nesse contexto que o autor de Hebreus diz, se essas pessoas conhecendo a verdade do evangelho, ainda assim o rejeitam, “é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento”.
d.       Lembre-se: Salvação é o apego aos desígnios de Deus diante do abandono de nossa própria vida (Mateus 10:37-39; 16:25). Se você não creu em Cristo e fez ele o dono de sua vida, não importa a vida cristã ou os dons espirituais que você tenha, você não é salvo.
e.       É semelhante ao que acontece com os que blasfemam contra o Espírito Santo. Sua salvação é impossível não porque foram amaldiçoados ou impedidos por Deus; mas porque, ao rejeitarem o Espírito, eles fecham a porta para o Reino de Deus (Mateus 12.28) e para o único que pode convence-los do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). Lembre-se que blasfemar contra o Espírito é rejeita-lo atribuindo sua ação a um demônio. Ou seja, uma rejeição firme e absoluta.
6.      Hebreus 10.26 – “Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados”.
7.      Hebreus 10.29 – “Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça?”
a.       Esses dois textos de Hebreus 10 falam acerca da condenação daqueles que deliberadamente rejeitam a salvação em Cristo. Pessoas que continuam em sua vida de pecado mesmo após conhecerem a verdade.
b.       No verso 26 o escritor afirma que “já não resta sacrifício pelos pecados”. Porque, como o sistema levítico de sacrifícios pelos pecados já foi revogado por Deus, não resta nenhuma alternativa de salvação para aqueles que rejeitam a verdade (João 14:6).
c.       No verso 29, o escritor compara o castigo que sofria quem rejeitava a lei de Moisés (v. 28) com o castigo ainda maior que sofrerá aquele que rejeitar e desprezar o Filho de Deus.
8.      Hebreus 10.35-39 – “Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele. Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que creem e são salvos”.
Este texto simplesmente ressalta a diferença entre os salvos e os “simpatizantes” do Evangelho como Saul e Judas Iscariotes – “nos não somos como os que retrocedem”.

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