quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Você é um muquirana?



Não é difícil encontrar pessoas muquiranas. Talvez você conheça esse tipo de gente por outros nomes, como sovina, avarento, agarrado, mesquinho, pão-duro, unha-de-fome, avaro, casquinha, chifre de cabra, esganado, fuinha, gaveteiro, mão de finado, mão de leitão, mão de vaca, mãos atadas, mão fechada, migalheiro, sórdido. Você é um deles?

Se for, com certeza você não admite. Muquiranas preferem descrever a si mesmos em termos positivos como econômicos, uma pessoa que sabe o valor do dinheiro. Mas a verdade é que a relação deles com o dinheiro e com o futuro é doentia. Eles são extremamente apegados ao dinheiro de uma maneira sórdida, e sempre encontram as formas mais absurdas para não gastá-lo. Eles são parecidos com os “acumuladores”, aquelas pessoas que não conseguem jogar uma garrafa velha fora pelo medo doentio de virem a precisar dela no futuro. Os muquiranas são assim, mas com o dinheiro; eles chegam a ponto de recusar quaisquer prazeres simplesmente pelo prazer de não gastar.

Não é raro um muquirana, por exemplo, inventar uma desculpa ou até mesmo contar uma mentira para sair antes de um jantar apenas para não pagar a conta. Eles usam todas as desculpas para não se comprometerem com qualquer despesa. Frases como “estou apertado”, “não recebi ainda”, “dessa vez não vai dar”, “aconteceu um imprevisto” saem de suas bocas naturalmente sem disfarçar a sensação de prazer quando conseguem evitar gastar seu amado dinheirinho.

Um provérbio português aconselha “guarda-te de mau vizinho e de homem mesquinho”.

François de La Rochefoucauld disse que “a avareza produz muitas vezes efeitos contrários”.

Honoré de Balzac escreveu que “a avareza é um nó corrediço que aperta cada dia mais o coração e acaba por sufocar a razão”.

Jean de La Fontaine foi exato ao dizer que “a avareza perde tudo ao pretender ganhar tudo”.

Plutarco tirou sarro dos muquiranas ao dizer que “a avareza é um tirano bem cruel; manda ajuntar e proíbe o uso daquilo que se junta; visita o desejo e interdiz o gozo”.

Thomas Paine observou que o malefício da mesquinharia é superior ao seu benefício dizendo que “embora a avareza impeça o homem de se tornar necessariamente pobre, geralmente torna-o demasiado timorato[1] para enriquecer”.

Philip Dormer Stanhope notou que “um espírito mesquinho é como um microscópio: aumenta as pequenas coisas, mas impede de ver as grandes”.

Vittorio Buttafava riu do fato que “o absurdo da avareza está no fato de o avaro viver como pobre e morrer rico” e Walter Bagehot certamente tem razão ao dizer que “nada é mais desagradável que uma pessoa virtuosa com uma mente mesquinha”.

Mas o que a Bíblia teria a dizer sobre isso?

A Bíblia condena os mesquinhos, muquirana, os mãos-de-vaca, aqueles que pensam dez vezes antes de ajudar alguém com a desculpa de serem econômicos ou que fazem todo o possível para evitar colocar a mão no bolso. Listo abaixo 11 razões para que você seja mais generoso no uso dos seus bens: 

  1. Uma bênção decorrente da obediência a Deus era poder emprestar a muitas pessoas e não tomar emprestado nada de ninguém: “O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo e para abençoar toda obra das tuas mãos; emprestarás a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado” (Deuteronômio 28:12). Emprestar a quem precisa é sinal da bênção de Deus.
  2. Ao falar do amor ao próximo, Jesus ensina que os verdadeiros filhos de Deus emprestam sem esperar receber nenhum pagamento: “E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto” (Lucas 6:34).
  3. O salmista identifica o homem temente a Deus como aquele que “se compadece e dá” (Salmo 37.21).
  4. Deus ordena que o seu povo faça todo possível para atender a necessidade dos pobres: “Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos (…), não endurecerás o teu coração, nem fecharás as mãos a teu irmão pobre; antes, lhe abrirás de todo a mão e lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade” (Deuteronômio 15:7-8).
  5. Uma das características daquela que habitará no santuário de Deus é que ele “não empresta o seu dinheiro com usura” (Salmos 15:5); isto é, não usa a necessidade do outro para lucrar ganhando lucros pelo empréstimo.
  6. Jesus ordena aos seus discípulos dizendo: “Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes” (Mateus 5:42).
  7. Um dos maiores elogios à generosidade é feita pelo apóstolo Paulo aos crentes da igreja de Corinto citando o salmo 112: “como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre” (2 Coríntios 9:9).
  8. O apóstolo Paulo diz que generosidade e a liberalidade na administração dos nossos recursos faz que, “por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus. Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus, visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos” (2 Coríntios 9:11-13).
  9. Uma das marcas dos primeiros cristãos era a liberalidade para com os necessitados: “Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade” (Atos 2.45).
  10. Quando abrimos a carteira para sermos generosos com um necessitado, não é só a ele que estamos fazendo bem; mas ao nosso próprio Senhor Jesus: “o Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40).
  11. Crentes sovinas ofendem a santidade de Deus: "Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda" (Provérbios 3.9).

Obviamente não podemos dar ao outro aquilo que não temos; ou seja, só podemos ser liberais na medida de nossas poses. Mas devemos saber que é pecado guardar nossos bens enquanto evitamos ajudar alguém necessidade.

Há muitos necessitados e não podemos atender a todos. Por isso a Palavra de Deus diz que primeiro temos a obrigação de socorrer aos “da própria casa” (1 Timóteo 5.8) e “aos da família da fé” (Gálatas 6.10) antes que nossa generosidade se dirija a todos. Afinal de contas, que honra pode haver maior para um cristão que dá de comer e beber ao seu próprio Salvador e Senhor?
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