terça-feira, 2 de abril de 2019

Oração, Silêncio e Contemplação


Ao ler sobre Thomas Merton,[1] fui surpreendido com uma afirmação do autor acerca dos alunos na Bellarmine University – uma universidade católica]:[2] "Os estudantes gostam de aprender sobre contemplação, oração e silêncio...".[3] Ao ler isso não pude deixar de pensar nos estudantes de teologia evangélicos, para os quais esses três temas NUNCA estão entre as prioridades para estudo. 

Imagino o estranhamento que causaria se, num de nossos seminários de Teologia, um estudante dissesse que precisa apender mais sobre oração ou silêncio. 

Nossos estudantes de Teologia estão ocupados demais com Teologia do AT/NT, hebraico e grego, exegese, homilética, teologia reformada, escatologia e, acima de tudo, apologética. Sim, apologética acima de tudo. Afinal, poucas coisas são tão importantes como a capacidade de provar que estamos certos. 

O custo disso? Não é nenhuma novidade afirmar que a grande maioria dos pastores tem uma vida de ORAÇÃO, se não protocolar, inexistente. Pior, além de não saberem orar com profundidade, os pastores não sabem também ensinar a igreja a orar. Quem já tentou esticar um momento de oração além de 5 minutos sabe do que estou falando. 

É visível o desconforto que muitos crentes maduros sentem com orações mais longas, ou com um momento de oração que se estenda um pouco mais. Solicitar que 3 pessoas orem em sequência é um martírio para muitos. Certa vez pedi que toda congregação ficasse de joelhos enquanto três irmãos oravam. Após a terceira oração, abri os olhos e vi boa parte dos presentes já estavam assentados nos bancos pacientemente esperando que a pessoa terminasse de orar. Raríssimas são as igrejas que se aventuram numa vigília de oração que dure toda a noite. Recentemente uma igreja organizou até gincanas (além dos lanches) para que o povo se dispusesse a "orar". 

E quando se trata da CONTEMPLAÇÃO? Lido diariamente com crentes que não são capazes de refletir numa verdade espiritual por mais de 5 minutos. 

Semelhante à deficiência de cálcio nos ossos, tal deficiência espiritual gera cristãos fracos, frágeis e quebradiços. Por um lado, são vítimas do ativismo que mascara a deficiência que têm. São aqueles que, ao ouvirem uma pessoa falar que precisa aprender a orar, questionam cheios de surpresa: "Como assim, você não sabe orar ainda?". Miseravelmente sem noção de sua própria limitação. 

Por outro lado, são condenados a viverem sempre nas águas rasas de uma espiritualidade não desenvolvida. Refém de crises que se sucedem e de incompreensões numa resolvidas. 

A tudo isso seus pastores, que deviam guiá-los às águas profundas da vida com Deus; fazem de tudo, mas não isso.

Se você quer mudar isso, como eu quero, a única saída é reconhecer essas gigantescas limitações e não querer mais ficar nessas águas rasas. Buscar por aqueles que mergulham mas fundo, homens e mulheres que contemplam Deus, pessoas que passam uma noite em oração sem que isso seja um peso. Há muitos livros, artigos e vídeos que podem nos ajudar nessa busca.

Gostamos de falar que Deus falou com Elias através da brisa suave; mas a verdade é que, por causa de nossa dificuldade em silenciar nossa alma, na maior parte do tempo não somos capazes de ouvir nada de Deus a menos que ele grite em nossos ouvidos. Sinto como se tudo que tivesse ouvido e visto de Deus até hoje fosse uma diminuta parte de suas palavras dirigidas a mim.

Se há beleza quando Deus grita, quão maiores serão os encantos de ouvi-lo cantar e em nossa alma sua  voz como uma brisa sobrar?
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