terça-feira, 28 de maio de 2019

Loren Cunningham


Um dos problemas de se viver sempre sob a liderança de Deus é saber manter tudo na perspectiva certa. À medida em que uma orientação divina começa a se desdobrar, parece vir acompanhada de muito trabalho de rotina. Depois de algum tempo, desgasta-se a vibração da primeira revelação, e a visão dos frutos daquela ordem ainda está no futuro. Entre as duas etapas encontra-se a fase de trabalho cansativo, que deixa o ânimo meio entorpecido. E é nesse intervalo que o princípio da perspectiva se torna muito importante.

Celestial


"Todo império, empreendimento, esforço, todo dinheiro, toda realização seja ela qual for terá um fim. Tudo o que é terreno perecerá. Não aposte sua vida nisso. Não confie a sua alma em qualquer coisa que não seja celestial".

Hans Us Von Balthasar

O que você é constitui o presente de Deus para você

"O que você é constitui o presente de Deus para você;
o que você se torna é o seu presente para Deus".

(Hans Us Von Balthasar)

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Hans Urs von Balthasar foi um sacerdote, teólogo e escritor suíço. É considerado um dos mais importantes teólogos do século XX. Nas recentes comemorações do centenário do nascimento, o seu amigo Joseph Ratzinger afirmou que "a sua vida foi uma genuína busca da verdade", entendida como "busca da verdadeira vida".

Sobre pertencer

ilton santana


Todos nós temos diversos laços de pertencimento. Pertencemos a um cônjuge, aos filhos, aos pais, irmãos, à empresa, aos colegas de trabalho, aos projetos profissionais, à galera da faculdade, a sonhos...

Mas a quantos nós pertencemos "de modo especial"?

Há muitíssimos laços de pertencimento que são frágeis demais ou simplesmente protocolares. Na verdade não há pertencimento alguma. E mesmo quando há, muitas vezes termos um pertencer fracionado, tumultuado, uma relação de pertencimento em que a grande alegria é escapar-se, "dar um perdido" até que não seja mais possível.

É lamentável que tantas pessoas vivam constantemente nessa tensão, talvez sem jamais terem se dado conta que a verdadeira vida, a grande alegria, a felicidade de fato só pode ser encontrar quando se pertence a alguém, quando a gente se encontra no outro, seja nos filhos, no surf, no olhar da mulher amada ou na contemplação das estrelas.

Então, termino com a pergunta que fiz antes: A quem você pertence de modo especial?

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Conecte-se a pessoas


Olhar nos olhos, sorrir de volta, abraçar, perceber uma certa tristeza debaixo de uma camada de satisfação superficial, passar o sal... tudo são coisas que acontecem quando você está à mesa com outras pessoas compartilhando uma refeição.

Já pensou quando louco seria você colocar a mesa lá fora e chamar os vizinhos para jantar junto? Encontrar uma desculpa para tomar café juntos ou para uma roda de chimarrão (escrevo do Paraná).

É maravilhoso quando nos aventuramos a uma atitude nova e nos surpreendemos com os resultados. Experimente!

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Transformemente: Mude sua mente, mude sua vida, mude seu mundo.

TransformeMente: Mude sua mente, mude sua vida, mude seu mundo.

Resposta honestamente: Você já chegou à conclusão que sua mente precisa ser mudada?

Normalmente nosso foco está em mudar situações e pessoas ao nosso redor. Mas, e se você mudasse seu foco? E se sua maior obstinação fosse mudar a maneira como você pensa, a maneira como percebe o mundo e enxerga as pessoas?

Se fosse assim, você gostaria de ajuda para isso?

Depressão e a Ansiedade: 6 livros para entender melhor

dicas de leitura


Uma das melhores maneiras para aprender a lidar com uma realidade, adotar novos hábitos, compreender a si mesmo ou alterar a forma como você age e reage a tudo ao seu redor é... LENDO sobre isso.

Um cachorro preto chamado depressão (dublado)


7 livros sobre ansiedade, depressão e suicídio para presentar um adolescente

Texto de Gabriella Feola

Quando acontecem tragédias como o atentado de Suzano, alguns elefantes brancos se materializam nas salas das famílias onde moram jovens e adolescentes. As notícias sobre violência nas escolas trazem à tona questões sobre bullying, solidão, ansiedade, depressão e suicídio.

Se for para falar dos garotos assassinos, há mais questões que precisam ser incluídas no debate, dentre elas a masculinidade. Mas esse texto não é sobre eles.

Independente da história dos assassinos, falar de vida escolar e juventude é dar de cara com questões de saúde mental que precisam ser debatidas, conversadas, que precisam deixar de ser tabu.

A depressão já é considerada o mal do século. Em 2000, a Organização Mundial da Saúde divulgou um relatório prevendo que, em um futuro próximo, 15% da força de trabalho mundial abandonaria seus postos por motivos relacionados à doença. A depressão cresceu 705% em 16 anos. Em 2017, os relatórios da OMS apontam que o Brasil é o 4º com o maior índice de depressão, afetando 5,8% da população nacional. Quando o tema é ansiedade, o Brasil lidera o ranking, já que 9,3% da população, ou aproximadamente 1 a cada 10 pessoas, sofrem com algum tipo de transtorno de ansiedade. Os problemas de saúde mental não são exclusividade dos jovens, mas tem crescido mais rapidamente entre estes.

“Os jovens de hoje em dia não sabem lidar com problemas” já podemos ouvir. No entanto, estudiosos de diversas áreas apontam para um problema contextual. A depressão e a ansiedade são doenças epidêmicas causadas pela situação socioeconômica e a realidade de vida de uma população.

Crises econômicas e políticas, falta de perspectiva de futuro associado à pressão para realizar grandes feitos individuais e a percepção de tempo, no qual as coisas precisam ser realizadas de maneira cada vez mais imediata são os ingredientes sociais que participam dessa epidemia.

A saúde mental não é um problema desse ou daquele adolescente que “não sabe lidar com seus problemas”. A saúde mental não é frescura. A saúde mental é um problema do século XXI e, se quisermos cultivar um mundo com mais qualidade de vida, precisamos aprender a conversar sobre ela com os jovens a nossa volta (e com os não tão jovens também).

Há um tabu muito grande sobre a depressão, a ansiedade e outros males. Muitos jovens não conseguem procurar ajuda e nem sequer chegam a falar sobre o tema com familiares e amigos. Há quem tente falar sobre, mas não consiga arrumar maneira de chegar ao assunto e há também aqueles que apesar de conseguirem colocar seus sentimentos em palavras, encontram resistência de parte da família – que não compreende a situação do jovem.

Para ajudar a puxar uma conversa sobre o tema, o pessoal do PdH separou uma lista de livros que podem ajudar adolescentes, adultos e idosos a entender a depressão, a ansiedade e outros males. Sobretudo, são narrativas que dão uma visão aprofundada e sensível a doenças de saúde mental e que ajudam a suscitar conversas significativas e saudáveis entre pessoas queridas.




Você já ouviu falar de sick-lit? É uma palavra para se referir a literatura de dramas psicológicos. Alguns dos livros mais vendidos dos últimos anos, assim como As Vantagens de Ser Invisível entram nessa categoria.

O livro conta a história de um garoto solitário que faz novos amigos na escola. Juntos, os três se ajudam a enfrentar situações de bullying, depressão, desamores entre outros. Sem muitas mirabolâncias, a narrativa foca na riqueza das situações cotidianas.




Recomendado pela educomunicadora Natalia Sierpinski, este quadrinho, criado por Bianca Pinheiro, usa a turma da Mônica para contar uma história diferente. O livro consegue alcançar crianças e adultos e, com muita sensibilidade, aborda um tema delicado, que não podemos contar senão estraga a história.




O Demônio do Meio Dia: Uma Anatomia da Depressão já é um clássico contemporâneo escrito pelo jornalista Andrew Solomon e considerado como uma das melhores representações na literatura. Andrew enfrenta a depressão e aborda o tema em sua palestra TED, incentivando a busca por ajuda.




Segundo a youtuber Anna Costa, que fala sobre literatura e psicologia, A redoma de vidro, livro de Silvya Plath escrito em 1963 é um dos que melhor retrata a apatia causada pela depressão, além de mostrar como a doença era tratada na década de 1960, cheia de estigmas e violências.




Também recomendado pela Anna, O Último Adeus trata a questão do suicídio pela perspectiva da família e dos amigos. O livro narra a história de Lex, uma garota que começa a fazer terapia para tentar lidar melhor com a perda do irmão. A youtuber ressalta que além da abordagem delicada, outro ponto positivo do livro é mostrar detalhes sobre o processo de terapia.




Outro quadrinho recomendado pela Natalia Sierpinsky, é o Sempre Faço Tudo Errado Quando Estou Feliz. Com uma arte muito legal e toda monocromática, Raquel Segal retrata a ansiedade agindo em momentos cotidianos.




O aclamado livro de Conley virou filme e estreou no circuito independente do Brasil em janeiro de 2019. A história conta os sofrimentos de um jovem, filho de um pastor, que é mandado para uma instituição de “cura gay” e que enfrenta problemas de saúde mental relacionados às violências que sofre.


* * *

A ideia inicial era criar uma lista de livros que pudessem ajudar jovens a compreender e a falar sobre depressão e ansiedade e, se for o caso, procurar ajuda. No entanto, os problemas de saúde mental afetam a todas as pessoas e qualquer um pode se beneficiar de todas essas indicações. Ler e mergulhar em histórias é uma forma de desenvolver empatia.

Nenhum desses livros tem a capacidade de, por si só, curar o problema de alguém, no entanto, ler e identificar-se com uma história pode ajudar diminuir o sentimento de solidão e isolamento, além de inspirar a busca por ajuda. Ler sobre também ajuda familiares e amigos próximo a quebrar preconceitos, compreender quem está passando por um momento difícil e demonstrar sensibilidade.

E você, indica algum livro, filme ou série bacana que ajudam as pessoas a falarem sobre o tema e a buscarem ajuda?

Disciplina é um desejo profundo de encontrar a própria liberdade




Quando falamos em disciplina, não estamos falando em transformar uma criança malcriada em uma criança boazinha.
Não significa flagelar a própria mente com uma vareta ou chicoteá-la até que ela se submeta a nós. Também não é um complô para deixar a sua vida sem graça. Assim como a palavra “emoção”, a palavra “disciplina”, no sentido budista, tem vários sentidos que não estão aparentes no uso comum do português.
Em primeiro lugar, o termo carrega um sentido de “refrescar”. É como passar um dia muito quente de verão na rua e, bem na hora que começamos a nos sentir mal por causa do calor, encontrarmos alívio sob a sombra de uma árvore.
Sentimo-nos muito felizes por estar sentados à sombra, e logo começamos a nos sentir mais calmos e em paz. Esse é um exemplo do resultado de praticar a disciplina: alívio frente ao intenso incômodo que sentimos na prisão de nossos padrões habituais comuns.
A disciplina também carrega o sentido de “por conta própria” ou de “se manter de pé pela própria força”. Significa que não precisamos sempre ser guiados por alguém, como quando éramos crianças.
Quando jovens, claro, tínhamos muitas figuras de autoridade — nossos pais, os professores e os conselheiros na escola que ensinavam o que devia ser feito. Aprendemos as regras de como nos portar em casa, na escola e em público. Mas já que passamos por tudo isso, agora percebemos que somos capazes de ser nossos próprios guias, o que é um reconhecimento libertador.
Da mesma forma, em determinado momento do nosso caminho espiritual, chegamos a um ponto onde somos capazes de avaliar as nossas ações e corrigir os próprios erros. 
No fim das contas, cada um de nós é o melhor juiz e conselheiro para si mesmo, uma vez que conhecemos os nossos padrões melhor do que qualquer outra pessoa. O problema de depender de professores é que sempre apresentamos o nosso melhor ângulo quando estamos na presença deles. Se somos realmente bons em nos apresentar, acabamos por ser uma pessoa na presença deles e outra totalmente diferente quando saímos porta afora.
Sendo assim, como o professor poderia nos guiar? Às vezes, os alunos têm até medo de seus professores e acabam por tentar “seguir as regras” ou imitar a boa conduta, por mero receio de que o professor fique chateado com eles.
Nosso treinamento em disciplina não deve se basear em nenhum tipo de medo. Isso não é a disciplina verdadeira. A disciplina verdadeira vem de um desejo profundo de encontrar a própria liberdade. 

Ética como uma presença mental 

Partindo de um certo ponto de vista, praticar a disciplina envolve seguir um caminho de conduta ética: certas ações devem ser evitadas e outras encorajadas. 
Baseados nisso, podemos achar que a disciplina é só seguir regras e fazer esforço. Porém, a intenção principal desse treinamento é fazer com que nós fiquemos cientes de nossas ações, reconhecendo-as claramente e, assim, sendo capazes de reconhecer as que são prejudiciais e as que são benéficas.
Estar ciente de todas as ações e tomar cuidado para não prejudicar os outros ou a nós mesmos é indicativo de uma mente disciplinada. Isso significa que precisamos examinar as nossas suposições sobre o que constitui uma ação positiva ou negativa.
Algumas ações podem ser positivas em determinado contexto social, mas negativas em outro. A disciplina vai além de só seguir um conjunto de regras. Requer discriminação, empatia e honestidade genuínas. De todo modo, é a nossa própria disciplina que estamos desenvolvendo. Somos nós que estamos na estrada, trilhando o nosso próprio caminho até a nossa liberdade.
Tornar-se uma pessoa disciplinada significa cultivar presença mental e consciência, de forma a reconhecer as nossas ações de forma clara e precisa.
Ser disciplinado significa que temos uma visão panorâmica: vemos os nossos pensamentos e as intenções desses pensamentos; vemos como as nossas intenções se desenvolvem e, enfim, são expressas através da fala ou de outras ações.
Além disso, vemos o impacto de nossas ações sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o nosso ambiente. Quando aplicamos a presença mental e a consciência a esse processo como um todo, vivenciamos mais liberdade. Não estamos limitados a apenas repetir as nossas tendências habituais ou realizar cegamente o que achamos que deve ser feito.
Podemos escolher dizer o que está em nossa mente e o que parece nos queimar por dentro para ser expressado, ou podemos fazer uma pausa e espairecer um pouco.
Esse é um momento de buda rebelde: estamos prestes a cair novamente em uma cilada e algo nos liberta, salvando-nos do desastre. Essa é a inteligência básica, a mente desperta, que passa a agir. No início, é mais provável que caiamos nas armadilhas, mas, pouco a pouco, a mente de buda rebelde se torna tão ágil e precisa em nossas ações que podemos começar a relaxar, mesmo sob forte fogo emocional.
Não é suficiente tentar manter presença mental e ser disciplinado apenas uma vez, e então dizer: “Bem, tentei, mas não funcionou.” Leva tempo. É preciso tentar repetidas vezes e, então, em determinado ponto, poderemos sentir a energia transformadora.
Independentemente de mudarmos ou não o jeito de fazermos as coisas, descobrimos que isso muda a forma com que nos relacionamos com as nossas ações. Se temos o hábito de gritar ordens para as pessoas em nosso trabalho, é possível que isso continue ocorrendo. Porém, pode ser que nos relacionemos com os nossos gritos de forma bem diferente.
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Este texto é um trecho do livro Buda Rebelde, de Dzogchen Ponlop, monge tibetano e um dos professores budistas mais conhecidos no mundo, com diversos livros publicados. Ele foi traduzido e publicado pela editora Lúcida Letra, do Vitor Barreto.

Dzogchen Ponlop Rinpoche é um dos mais conhecidos professores budistas do mundo, com diversos livros publicados em diferentes países. Também é fundador e presidente da Nalandabodhi, centro budista com sedes por todo o mundo.


Publicado no site Papo de Homem.

George Bernard Shaw


"É IMPOSSÍVEL progredir sem mudança e aqueles que não mudam suas MENTES não podem mudar NADA".

(George Bernard Shaw)

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Pais e filhos: O desafio de viver uma vida inspiradora

pai e filhos ilton santana



Qual o mandamento bíblico para os pais? O que realmente significa o famoso “ensina o filho no caminho em que deve andar”? Aproveito o nascimento do Isaac e a felicidade dos seus pais para falar mais uma vez sobre esse assunto que tem ocupado cada vez mais minha atenção. Começamos pelo texto já mencionado:


Ensine a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele (Provérbios 22:6).


Tragicamente muitos pais têm entendido esse verso com uma ordem para apenas levar os filhos na igreja, ensinar memorizar alguns versículos ou impor à eles um código moral. Mas é muito mais, aos pais é ordenado conduzir seus filhos da mesma maneira que eles mesmos são conduzidos por Deus. Veja o que diz o Senhor Deus ao profeta Isaías:


Assim diz o Senhor , o seu Redentor, o Santo de Israel: “Eu sou o Senhor , o seu Deus, que lhe ensina o que é útil e o guia pelo caminho em que você deve andar (Isaías 48:17).


Por mais que alguns pensem que a vida cristã se resume em um certo comportamento e alguns conceitos espirituais, a vida cristã deve ser entendida como vida com Deus, uma vida em todos os aspectos submissa, direcionada e inspirada em Deus. Deus nos guia pelo caminho não apenas nos dando disciplina, mas também esperança e inspiração para vivermos a vontade dele e não a nossa. Como podemos fazer isso com nossos filhos? Dois textos em Deuteronômio respondem essa pergunta:


— Escute, Israel, o Senhor , nosso Deus, é o único Senhor . Portanto, ame o Senhor , seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e com toda a sua força. Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Você as inculcará a seus filhos, e delas falará quando estiver sentado em sua casa, andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se. Também deve amarrá-las como sinal na sua mão, e elas lhe serão por frontal entre os olhos. E você as escreverá nos umbrais de sua casa e nas suas portas (Deuteronômio 6:4‭-‬9).


O segundo texto é semelhante mas destaca o fato que, diferente dos pais, os filhos não tiveram experiências com Deus, não “experimentaram e viram a disciplina do Senhor”. Isso ressalta a responsabilidade dos pais: eles são portadores de experiências grandiosas e devem encontrar uma maneira eficaz de transmiti-las aos filhos.


“Amem o Senhor , o seu Deus e obedeçam sempre aos seus preceitos, aos seus decretos, às suas ordenanças e aos seus mandamentos. Lembrem-se hoje de que não foram os seus filhos que experimentaram e viram a disciplina do Senhor , o seu Deus, a sua majestade, a sua mão poderosa, o seu braço forte. Vocês mesmos viram com os seus próprios olhos todas essas coisas grandiosas que o Senhor fez. — Ponham estas minhas palavras no seu coração e na sua alma. Amarrem-nas como sinal na mão, para que sejam por frontal entre os olhos. Ensinem essas palavras aos seus filhos, falando delas quando estiverem sentados em casa, andando pelo caminho, quando se deitarem e quando se levantarem. Devem escrevê-las nos umbrais de sua casa e nas suas portas” (Deuteronômio 11:1-2, 7, 18‭-‬20).


Há quatro elementos bem específicos nesse mandamento aos pais. Podemos falar deles através de quatro perguntas:


NO QUE VOCÊ CRÊ? Essa pergunta diz respeito ao conteúdo de fé. Muitos pais que têm dificuldade em instruir seus filhos, a têm porquê não têm clareza quanto à sua própria fé. Não basta dizer que creio em Jesus se não digo o que significa. Não são poucos os pais que são incapazes de responder as perguntas mais elementares sobre dia fé. Isso os torna incapazes também de comunicar efetivamente sua fé aos seus filhos.

COMO VOCÊ CRÊ? Essa pergunta diz respeito à fé experimentada. Os pais precisam amar o Senhor e obedecê-lo antes de ensinar isso aos seus filhos. Aqui não se trata mais de saber no que se crê, mas de experimentar de fato a vida com Deus tendo assim uma experiência para compartilhar. Pais que apenas vão ao culto com seus filhos não têm isso.

COMO VOCÊ ENSINA? Uso aqui o verbo ensinar porque é o usado no texto bíblico. Mas “ensinar” é normalmente compreendido como um processo ou puramente intelectual e essa não é a abordagem aqui. Ensinar aos filhos um código de ética, uma maneira de se comportar e conceitos teológicos cristãos é importante; mas só é eficaz se esse ensino procede de nossa forma de viver. É isso que ambos os textos de Deuteronômio nos ensina ao ordenar que ensinamos nossos filhos enquanto estamos assentados em casa, andando pelo caminho, enquanto estamos nos deitando ou nos levantando. Isto é, ensinamos durante todo o tempo, durante as tarefas rotineiras. Não há um tempo reservado à instrução. A questão fundamental é: enquanto nosso filho nos vê andando pelas ruas, dirigindo nosso carro, lidando com problemas, enfrentando crises no casamento, tendo dias estressantes, rindo com amigos no futebol, conversando ou reclamando dos vizinhos… ele está aprendendo a ter uma vida com Deus? Porque alguma coisa ele certamente está aprendendo.

O QUE DIZ A SUA CASA? Se um estranho olhar sua casa, a lista dos seus programas televisivos ou de suas músicas preferidas, se ele verificar sua fatura de cartão de crédito, os livros ou os itens na sua geladeira… O que ele faria estaria de acordo com a fé que você diz ter e viver? Deus manda que os pais escrevam as Escrituras nos umbrais de suas casas e nas portas; porquê? Porque é necessário que haja marcas visíveis ao nosso redor daquilo que afirmamos com nossos lábios. Não são poucos aqueles cujas casas desmentem o que eles dizem a respeito de si mesmo. Além disso, o difícil trabalho de inculcar na mente e coração dos filhos a Palavra de Deus exige uma soma de recursos. A minha palavra, a minha atitude e mesmo a decoração da minha casa devem transmitir a mesma mensagem.


Percebe-se claramente como os quatro elementos devem estar em sintonia. Eu devo conhecer a mensagem, crer nessa mensagem, transmiti-la aos meus filhos e evidenciá-la ao meu redor. A maior preocupação não deve ser se meus filhos terão uma fé verdadeira, mas em eu ter uma fé verdadeira que comunique e evidencie de forma eficaz e inspiradora. Concluo com uma fala de Paulo aos pais:


Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados (Colossenses 3:21).

O apóstolo Paulo explícita aqui algo contido no texto de Deuteronômio: os pais precisam inspirar seus filhos. Desanimados, no texto acima, já foi traduzido por pusilânimes, isto é, de alma pequena ou espírito fraco. A ideia é transmitida pelo significado original de desanimado, “sem alma. Logo, aos pais é mandado que zelem pelos filhos para que eles tenham alma e espírito grandiosos e isso só é possível se eles forem inspirados a isso.

Sendo assim, o desafio de criar um filho que aprenda a amar e obedecer a Deus é o desafio de não apenas viver uma vida cristã, mas viver uma vida cristã que seja inspiradora. É o seu caso?

O que você escolheria?

o que você escolheria

Se você tivesse que escolher entre ter um bom presidente da República ou ter instituições sólidas, o que escolheria?
Há uma frase famosa* que diz que “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. O que sugere que devemos ser cuidadosos o tempo todo, não interessa quem esteja no poder. Assim, o que faz um governante ser bom não é o fato de ele ser ou não honesto, mas a vigilância que se faz sobre ele.

É por isso que ter instituições fortes é mais importante que ter um bom presidente. Seja com Bolsonaro ou com Haddad, é essencial que o Ministério Público, a Polícia Federal, o judiciário em geral e os órgãos de controle sejam fortes, sólidos e independentes.

Você certamente teria por mal intencionado se alguém que trabalha com alimentos quisesse o fim ou o enfraquecimento da Vigilância Sanitária. Também não haveria dúvidas quanto às intenções de comerciantes que quisessem o enfraquecimento do Código de Defesa do Consumidor. Isso porque é a Vigilância Sanitária e o Código de Defesa do Consumidor que permitem a população praticar a eterna vigilância que garante sua liberdade e bem estar.

Tanto Bolsonaro como Haddad representam um desafio nesse aspecto. Dado à certa solidez das instituições brasileiras, não acredito que a nossa democracia corra riscos com nenhum dos dois. Nem Haddad levaria o país a se tornar uma Venezuela, nem Bolsonaro traria de volta o regime militar. Mas é sabido que nenhum dos dois tem o apreço pelas instituições de controle que um presidenciável deveria ter. Enfim, mais do que nunca, a eterna vigilância deve ser o nosso trabalho.


*A autoria da afirmação é incerta. Alguns atribuem a frase a Aldous Huxley, autor de Admirável mundo novo; outros a Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos. Há ainda quem diga que a afirmação é do estadista irlandês John Philpot Curran, como aqueles que creditam a autoria a Patrick Henry, que governou a Virgínia no século XVIII.
**Texto escrito antes das eleições presidenciais de 2018, que acabariam dando a vitória a Jair Bolsonaro.