sábado, 1 de junho de 2019

Um pai como o Thanos

um pai como o thanos


Como o Thanos? O titã louco que viajava pelos planetas dizimando metade da população para restaurar o equilíbrio do universo? Sim, mas permita-me explicar. Além de viajar pelo universo com essa missão, Thanos tem duas filhas adotivas, Gamora e Nebula, com as quais tem uma relação difícil e cruel. Ele é tão implacável com as meninas que Gamora fica abismada ao descobrir que realmente é amada pelo seu pai. Mas esse pai cruel recebe de Nebula um elogio que muitos pais jamais ouvirão de seus filhos. 


Quando os Vingadores restantes confrontam Thanos acerca das joias do infinito, eles duvidam de uma informação dada pelo vilão. Nesse momento, Nebula – que havia se juntado aos Vingadores – faz uma declaração acerca do seu pai. 

“Meu pai [Thanos] tem muitos defeitos, mas ele nunca mente”. 

O compromisso de Thanos com a verdade já havia sido mostrada em Guerra Infinita quando, falando com Gamora, sua outra filha adotiva, ele diz a ela que lhe ensinou muitas coisas, mas nunca a ensinou mentir. Os dois eventos destacam o desprezo de Thanos pela mentira, bem como um apego à verdade raramente compartilhado mesmo entre os heróis. 

Todos nós já mentimos. Mas, uma vez sabedores dos efeitos altamente corrosivos da mentira naqueles que a praticam, os pais deveriam ser a classe de pessoas mais radicalmente avessa à mentira. Como não há dignidade que resista a ela; um pai que se vale da mentira, verá que a sua ação sobre seu filho ficará indelevelmente prejudicada, quando não completamente arruinada. 

A mentira é um fato social que goza tanto de ampla condenação quanto de ampla condescendência. Machado de Assis disse que “a mentira é muita vezes tão involuntária como a respiração”. Mahatma Gandhi observou corretamente o potencial da mentira de arruinar reputações – inclusive a dos pais – ao dizer que “assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida”.

Anaïs Nin observou o cotidiano para dizer que “a origem da mentira está na imagem idealizada que temos de nós próprios e que desejamos impor aos outros”. Afinal, o pai que esqueceu o jogo de futebol do filho, mas quer manter sua imagem idealizada perante o pequeno, tolamente prefere dizer que ficou preso no transito ou que estava numa reunião importantíssima do que abraçar seu filho pedindo perdão pelo esquecimento. 

Tais escolhas equivocadas despem os pais do poder para influenciar efetivamente seus filhos, ao mesmo tempo em que submete os pequenos a uma orfandade de referência. Lugar que será preenchido pelo primeiro que ocupar o espaço reservado para alguém digno de confiança. 

Se você não quer que essa seja a situação dos seus filhos, faça uma mudança radical ainda hoje. Mudança que pode começar com uma resposta honesta a essa pergunta: Seus filhos podem fazer a você o mesmo elogio que Nebula fez ao seu pai Thanos? 
“Meu pai tem muitos defeitos, mas ele nunca mente”.
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