quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Sobre pastores

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foto: wallhere.com


Pensando sobre algo que meu (atual) pastor escreveu, lembrei quando alguém me disse que estava com dificuldade de aceitar a liderança do seu pastor, por causa da relação com o pastor anterior e pela maneira diferente como esse exercia seu ministério. Para me deixar ainda mais perplexo, essa pessoa reforçou que não via nada de errado nesse pastor, nada a criticar, era apenas uma questão de preferencia. 

Não é desesperador? As pessoas estão escolhendo ou rejeitando seus pastores como se escolhem sapatos: a única coisa que importa é se são belos e confortáveis. Pastores deveriam ser julgados exclusivamente pela sua fidelidade à Palavra de Deus e seu amor ao Evangelho e à Igreja. Sendo assim, a única coisa que cabe aos membros das igrejas é submissão. Eu sei, a maioria odeia essa palavra; mas não há outra. “Obedecei a vossos pastores e sede submissos para com eles” – assim ordena o apóstolo Paulo. 

“Obedecei a vossos pastores e sede submissos para com eles” – assim ordena o apóstolo Paulo. 

Tive vários pastores em minha vida, todos eles muito diferentes entre si; no entanto, nunca – nem por um segundo – questionei se devia aceita-los ou não como meus pastores. Eram meus pastores e pronto. Havia divergências? Óbvio, afinal eu já era um ser pensante. Mas nunca saiu da minha boca uma tolice como “estou com dificuldade de aceitar sua liderança” com isso querendo dizer: Você não é confortável o bastante para mim. 

E é assim que muitas igrejas estão cheias de crentes rebeldes e insubmissos fingindo amor pela Igreja, fingindo devoção. Pessoas que raramente vêm à igreja, não são alunas na Escola Bíblica, algumas nem são dizimistas, mas julgam-se no direito de avaliar e questionar seu pastor, julgar os demais ministros. Se não é confortável o bastante, não serve. 

Os pastores em minha vida

Meu primeiro pastor, aquele que me batizou quando eu tinha nove anos, foi o Pr. Vicente de Ávila. Um homem extraordinário, bondoso, sempre se hospedava em nossa casa quando vinha de Buenópolis pregar em Augusto de Lima. Quando minha família mudou-se para Matozinhos, meu novo pastor era o bem mais jovem e enérgico Pr. Ronaldo de Oliveira Matias. Durante o ministério dele eu cresci, física e espiritualmente. Após a saída dele, o Pr. Jardel não poderia ser mais diferente. Baixinho e atarracado, um homem simples com práticas diferentes, mas tão comprometido como o pastor anterior. Era mais agradável ser pastoreado pelo Pr. Ronaldo? Sim. Mas, quem disse que o ministério pastoral presta-se a ser agradável? Paulo celebrou o fato de jamais ter buscado agradar os homens. 

Mas, quem disse que o ministério pastoral presta-se a ser agradável?

O Pr. Flávio sucedeu o Pr. Jardel, como este, o Pr. Flávio tinha convicções fortes, mas Flávio batia de frente, homem de bigode grosso nem de longe lembrava a doçura do Pr. Vicente ou a elegância do Pr. Ronaldo; mas eu me envergonharia demais se tivesse rejeitado ou menosprezado o ministério do Pr. Flávio por causa disso. Uma vez fui a casa dele e, sentando em sua cama, falei diretamente com ele acerca de algo que ele fizera e eu pensava ser errado. [Sempre penso em mim como mais tolo que os outros; mas ao menos nesse aspecto, eu jovenzinho, já tinha mais fibra e honra que muitos dos líderes e diáconos de hoje em dia].

O pastor que sucedeu o Pr. Flávio tem um lugar especial em meu coração. O jovem e recém-formado Pr. Atílio Patrício Braga Júnior não poderia ser mais diferente do que o pastor que o antecedera. Depois de formado em Teologia, segui para Medianeira (PR) para ser pastoreado pelo pastor e médico Lucas Davi de Souza. É difícil imaginar que característica o Pr. Lucas teria semelhante aos meus pastores anteriores. Minha posição agora era outra, ainda assim, não apenas por ser pastor auxiliar, mas também pela diferença de idade, mais uma vez eu era pastoreado por um pastor singular, muito diferente dos pastores que eu tivera até então. Mas uma coisa não mudava: Era o meu pastor. Foi assim quando, em virtude de uma interrupção no meu ministério pastoral, passei a ser pastoreado pelo Pr. Elias Figueiroa Colombeli. Talvez ele tenha algumas características em comum com os pastores Atílio e Ronaldo, mas ainda assim é tão diferente deles como foi, assim como eles, colocado por Deus para pastorear a mim. 

Uma coisa não mudou

Alguns foram mais agradáveis que outros. Alguns falaram com mais elegância, uns eram mais simpáticos e atenciosos, uns eram mais tomados por um senso de urgência, alguns eram mais enérgicos e rigorosos, com uns era mais fácil lidar, mas todos eram meus pastores e uma coisa nunca mudou: minha primeira obrigação para com eles era obediência e submissão. Simples assim.

6 comentários:

  1. Muito bom o texto, é triste ver essa realidade tão presente em nossas igrejas, na minha principalmente.

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    1. É preciso mudar. Gente que critica seu pastor não passa ileso por mim.

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  2. Muito bom! Algo a ser reaprendido hoje ou aprendido por muitos! Submissão... Posso postar a primeira parte?

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  3. Não pertenço a nenhuma religião, apenas a Deus. Mas percebo perfeitamente.

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    1. Seja bem vindo Daniela. Religião é apenas um conjunto de códigos e ideias que regem ou dão forma à devoção ou espiritualidade de alguém. Se você crê em Deus, certamente expressa isso de alguma maneira.

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