sábado, 12 de outubro de 2019

Porque vocês odeiam Nossa Senhora?

"Madonna e o Menino" - Masaccio
Pintor do período do "Quattrocento" do renascimento italiano (1401-1428)


Essa foi a pergunta que me fizeram uma vez; assim, direto ao ponto. Cursava Letras na Unioeste[1] e aguardava dentro do ônibus o retorno para Medianeira quando, logo após saber que eu era um pastor batista, uma moça me fez a pergunta: “Porque vocês odeiam Nossa Senhora?”

A conversa que se seguiu está entre as melhores que tive sobre o assunto. Felizmente fui bem sucedido em mostrar à moça que, embora muitos evangélicos tenham uma postura equivocada e falem tolices a respeito, nós amamos a santa mulher que é reverenciada pelos católicos com muitos títulos: Mãe de Deus, Virgem Maria, Santa Maria, Nossa Senhora das Graças e – por causa de uma imagem da santa Maria aparecida em 1717 – Nossa Senhora Aparecida. 

É impossível a alguém que se diga temente a Deus ter qualquer sentimento de desprezo à Maria. A própria mãe do nosso Salvador profetizou a seu respeito: 

Desde agora, todas as nações me considerarão bem-aventurada. [2]

Ela fez isso pouco depois de sua prima Isabel, grávida de João Batista e possuída pelo Espírito Santo, declarar a respeito de Maria: 

Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. [3]

O maravilhoso fascínio que Maria sempre despertou em todos ao longo dos séculos pelo seu insuperável exemplo de piedade, devoção, humildade e fé; levou os católicos a formularem vários dogmas que fizeram da mãe do nosso Senhor, a humilde serva de Deus,[4] a tornar-se, na doutrina católica, a Senhora e Intercessora dos homens, Mediadora de todas as graças abaixo de Deus e acima dos homens e anjos,[5] perpetuamente virgem, sem pecado,[6] sem passar pela morte,[7] a Rainha dos Céus e dos anjos, a filha predileta de Deus,[8] a “mãe de Deus”. 

Aliás, esse último título de Maria – mãe de Deus – é o que mais incomoda os protestantes. Mas é um incômodo sem razão; afinal, os católicos não estão errados em defender esse título lembrando que ela é a mãe de Jesus Cristo, que é Deus. Logo, apresentá-la como mãe de Deus não deveria soar tão absurdo. 

Comentando o anuncio do anjo de que Maria seria mãe do Filho do Altíssimo,[9] isto é, do Verbo que se fez carne, o padre Paulo Ricardo não erra quando diz que “isso significa que Maria, sendo virgem, não seria mãe simplesmente de um homem, mas do próprio Deus encarnado”.[10]

Então qual é o problema? 


O que realmente divide católicos e protestantes quando se trata de Maria é que estes entendem que qualquer culto ou adoração que não seja a Deus (Pai, Filho e Espírito) é errada e condenada pela Bíblia. Por mais que seja santa, bem-aventurada e inestimável mãe do nosso Senhor, Maria não deve ser adorada ou cultuada porque todo culto que não seja ao Criador é tratado como idolatria na Bíblia. É por isso que a história bíblica mostra Maria – não sendo cultuada – mas se juntando aos outros no culto a Deus. 

Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele – (Atos 1:14). 

Jesus morreu na cruz também pelos pecados de Maria; pois ela, assim como todos os seres humanos indistintamente, também nasceu em pecado[11] e está incluída entre todos os que pecaram e que carecem da glória de Deus. [12] Então, porque não devemos rogar à Maria o perdão dos nossos pecados? Porque foi Jesus Cristo somente que morreu na cruz pelos nossos pecados, que somente pelo sangue dele são purificados. [13]

A Bíblia Sagrada também não admite que Maria seja tratada como intercessora. Esse papel é exercido pelo Espírito Santo[14] e pelo próprio Jesus Cristo, que recebe o título de nosso Advogado[15] junto ao Pai. 

Sendo assim... 


Maria é um extraordinário exemplo de fé. Sua devoção e submissão a Deus, mesmo diante de um mistério incompreensível, devem nos inspirar dando-nos um modelo de como viver uma vida agradável a Deus. 

Maria é também a redenção das mulheres. Se Eva falhou miseravelmente no seu teste de fé[16] trazendo grave prejuízo às mulheres,[17] Maria redime-as dessa vergonha ao portar-se com excelência diante de um desafio infinitamente maior. 

Imagine você participando daquela reunião de oração mencionada no começo do livro de Atos.[18] Você e vários irmãos e irmãs ajoelhados em oração. Ao seu lado está Maria, a mãe do nosso Senhor Jesus Cristo, ela está também ajoelhada, mãos postas em oração. Seu coração se aquece ao vê-la ali, orando ao seu lado, e você novamente fecha seus olhos com um desejo renovado de servir e amar a Deus com todas as suas forças, custe o que custar.



[1] Universidade Estadual do Oeste do Paraná
[2] Evangelho de Lucas 1.48
[3] Evangelho de Lucas 1.42
[4] Evangelho de Lucas 1.38
[5] Academia Marial – www.a12.com/academia
[6] Dogma da Imaculada Conceição
[7] Dogma da Assunção de Maria
[8] Concílio Vaticano II (LG n. 53)
[9] Evangelho de Lucas 1.32-33
[10] https://padrepauloricardo.org/blog
[11] Salmo 51.1
[12] Romanos 3.23
[13] 1 João 1.7
[14] Romanos 8.26
[15] 1 João 2.1
[16] Gênesis 3.6
[17] Gênesis 3.16
[18] Atos 1.14


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